
A prisão do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como Papudinha, passou a receber o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e já abriga outros condenados pela tentativa de golpe de Estado. A unidade está localizada dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, e é destinada a policiais e pessoas politicamente expostas, perfil que inclui ex-autoridades e agentes de segurança.
Antes da chegada de Bolsonaro, a Papudinha já era o local de cumprimento de pena de Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no governo Bolsonaro. Ele foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão por integrar o núcleo de gerência da articulação golpista de 2022 e por utilizar a corporação para interferir no processo eleitoral.
Segundo a condenação, Silvinei requisitou relatórios de inteligência e coordenou operações que teriam dificultado o deslocamento de eleitores no Nordeste, região historicamente associada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia da votação.
Outro nome que cumpre pena na Papudinha é Anderson Torres, policial federal e ex-ministro da Justiça. Ele foi condenado a 24 anos de prisão por envolvimento direto na trama golpista. Torres ocupa um espaço com capacidade para quatro presos, mas que foi reservado de forma exclusiva, no formato de Sala de Estado Maior.
Durante o cumprimento da pena, Anderson Torres passou a participar de atividades no sistema penitenciário, como cursos técnicos e o programa de remição de pena por leitura. Entre os livros disponíveis para detentos do Distrito Federal estão Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva, Democracia, de Philip Bunting, Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski, e A autobiografia de Martin Luther King, de Martin Luther King.
Outros condenados pelo Supremo Tribunal Federal, que não se enquadram como autoridades de maior projeção ou não pertencem às forças de segurança, foram encaminhados a outros presídios do país.
A transferência de Jair Bolsonaro para a Papudinha foi determinada nesta quinta-feira, 15, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. No despacho, o ministro menciona a existência de uma “campanha fraudulenta” contra o Judiciário, citando reclamações públicas feitas por familiares do ex-presidente sobre as condições de prisão.
Moraes justificou a mudança ao afirmar que a nova cela oferece condições mais amplas do que a Sala de Estado Maior da Superintendência da Polícia Federal, onde Bolsonaro estava detido. Na Papudinha, o ex-presidente passa a ocupar um espaço com 64,83 metros quadrados, sendo 54,76 m² cobertos e 10,07 m² de área externa.
De acordo com a decisão, o local conta com cozinha, lavanderia e área externa, além de permitir prática de exercícios físicos, extensão do horário de visitas, posto de saúde na unidade e cinco refeições diárias, contra as três oferecidas anteriormente na PF.

