
O desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou reação imediata de parlamentares da oposição e do Partido Novo, que anunciou que pretende acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do chefe do Executivo.
Nas redes sociais, lideranças criticaram o que classificaram como uso de dinheiro público para promoção pessoal e propaganda eleitoral antecipada.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que Lula estaria utilizando recursos arrecadados com impostos para “fazer campanha antecipada”. Em publicação no X, disse que o presidente “usa o dinheiro do suor do povo trabalhador brasileiro” em um desfile de carnaval.
Flávio também comparou a situação com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o tornou inelegível. Segundo ele, Bolsonaro foi punido por ter se reunido com embaixadores e discursado em carro de som que, de acordo com o senador, não utilizou recursos públicos. “Isso não ficará impune”, escreveu.
O Partido Novo confirmou que vai recorrer ao TSE. Em sua conta oficial no X, a legenda afirmou que o desfile seria “uma peça de propaganda do regime Lula” financiada com dinheiro público.
O presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, declarou que, assim que Lula registrar candidatura, a sigla ajuizará uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), pedindo a cassação do registro e a inelegibilidade. “A lei deve ser igual para todos”, afirmou.
Críticas no Senado e na Câmara - O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), também criticou o desfile. Para ele, houve mistura entre cultura e política e possível “grave ilícito eleitoral”. Disse ainda que haveria propaganda antecipada com recursos do contribuinte e mencionou interferência nas eleições de 2026.
O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) classificou o desfile como “deprimente espetáculo de abuso do poder”. Em publicação nas redes sociais, fez referências à Operação Lava Jato e afirmou que o evento foi financiado pelo governo.
Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) comparou o caso à reunião com embaixadores que resultou na inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Segundo ele, se a situação tivesse ocorrido em 2022, as consequências seriam mais severas.
O senador Cleitinho (Republicanos-MG) também mencionou o ex-presidente e questionou como o Supremo Tribunal Federal reagiria caso houvesse um desfile financiado com recursos públicos em homenagem a Bolsonaro.
As manifestações ocorreram nas redes sociais, principalmente na plataforma X, e se concentram na tese de que o desfile configuraria promoção eleitoral antecipada.
Até o momento, a discussão anunciada pela oposição deve se concentrar no âmbito da Justiça Eleitoral.

