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JUSTIÇA

Moraes dá 15 dias para Malafaia responder denúncia por ofensas ao comandante do Exército

Pastor é acusado de injúria e calúnia após discurso na Paulista; defesa critica rapidez do STF

7 janeiro 2026 - 12h55João Pedro Bitencourt
Pastor Silas Malafaia durante ato na Avenida Paulista, em São Paulo, em abril de 2025
Pastor Silas Malafaia durante ato na Avenida Paulista, em São Paulo, em abril de 2025 - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes notificou o pastor Silas Malafaia para apresentar resposta prévia, no prazo de até 15 dias, à denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por injúria e calúnia contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva. A manifestação da defesa é uma etapa preliminar antes de o STF decidir se aceita ou não a acusação.

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A notificação foi determinada após Moraes retirar, no último dia 20 de dezembro, o sigilo do processo, que teve origem em denúncia apresentada pela PGR no dia 18. Dois dias depois, em 22 de dezembro, o ministro assinou a carta de ordem que formalizou o prazo para a resposta. Malafaia foi notificado pessoalmente no dia 23, pouco antes do início do recesso do Judiciário.

Os prazos processuais ficaram suspensos entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, conforme o calendário oficial do Judiciário. Mesmo assim, o avanço do caso gerou críticas do pastor, que questionou a celeridade adotada pelo STF.

“O regimento interno do STF, com resolução do Conselho Nacional de Justiça, diz que intimações ou ações durante o recesso ficam restritas a medidas de urgência. O STF não delibera matérias ordinárias. Como o Moraes manda me intimar numa velocidade estúpida?”, afirmou Malafaia à reportagem.

A denúncia da PGR tem como base um discurso feito pelo pastor em 6 de abril de 2025, durante um ato público realizado na Avenida Paulista, em São Paulo. Na ocasião, segundo a acusação, Malafaia teria ofendido a honra e a dignidade do comandante do Exército ao atacar o Alto Comando da Força em razão da prisão do general Walter Braga Netto.

Durante a manifestação, o pastor fez declarações duras contra os oficiais-generais. “Cadê esses generais de quatro estrelas do alto comando do Exército? Cambada de frouxos. Cambada de covardes. Cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, é para marcar posição”, disse, diante do público presente.

Malafaia sustenta que não citou nominalmente o general Tomás Paiva em sua fala. Ainda assim, a PGR entende que as declarações atingiram diretamente o comandante do Exército, por se tratarem de críticas dirigidas ao conjunto do Alto Comando, do qual ele faz parte.

Para o Ministério Público, além de injúria, as falas configuram calúnia, uma vez que o pastor teria acusado, de forma falsa, o comandante do Exército e outros oficiais de cometer crimes militares. Segundo a denúncia, as declarações foram feitas diante de milhares de pessoas e posteriormente reproduzidas nas redes sociais de Malafaia, alcançando mais de 300 mil visualizações.

Na avaliação da PGR, o objetivo das falas foi constranger e ofender publicamente autoridades militares em razão do exercício de suas funções, ampliando o impacto das declarações ao levá-las para o ambiente digital.

O pastor, por sua vez, classificou o processo como perseguição política e criticou diretamente o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo Malafaia, o caso não deveria tramitar no Supremo.

“Eu não tenho foro no STF. Ele deveria me mandar para a primeira instância. O argumento é que Moraes preside o inquérito das fake news e das milícias digitais, mas o que isso tem a ver com a minha opinião em uma manifestação pública? Absolutamente nada. Isso é uma maneira covarde de produzir puríssima perseguição política”, declarou.

A acusação apresentada pela PGR aponta ainda a existência de agravantes. Entre eles, o fato de as ofensas terem sido dirigidas a funcionário público no exercício do cargo, contra pessoa com mais de 60 anos e em ambiente público, com ampla repercussão nas redes sociais.

Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pediu que, em caso de eventual condenação, seja fixado um valor mínimo para reparação dos danos causados pelas declarações.

Com a apresentação da resposta prévia, caberá ao STF analisar se a denúncia será recebida e se Malafaia se tornará réu no processo. O caso reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão em manifestações públicas e a responsabilização por ataques verbais a autoridades no exercício de funções institucionais.

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