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ELEIÇÕES 2026

Saída em série de ministros redesenha governo Lula e antecipa disputa eleitoral no país

Com prazo legal se aproximando, Planalto projeta trocas em ministérios para fortalecer base no Congresso

21 janeiro 2026 - 13h20Vanessa Araujo
Prazo eleitoral deve provocar mudanças em série no primeiro escalão do governo Lula.
Prazo eleitoral deve provocar mudanças em série no primeiro escalão do governo Lula. - José Cruz/Agencia Brasil

A proximidade do prazo de desincompatibilização, exigido pela legislação eleitoral, deve provocar uma ampla reformulação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até abril, ao menos 17 dos 38 ministros avaliam deixar os cargos para disputar as eleições, movimento que já mobiliza o Palácio do Planalto e antecipa articulações para o cenário de 2026.

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A estratégia do governo é clara: transformar ministérios em plataformas políticas para ampliar a base aliada no Congresso Nacional e criar um ambiente mais favorável a um eventual quarto mandato de Lula. A mudança, porém, atinge áreas sensíveis da administração federal e pode alterar o equilíbrio interno da Esplanada dos Ministérios.

Entre as saídas mais relevantes está a da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR). Responsável pela articulação política do governo, ela deve deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná. A substituição ainda não está definida. Pelo desenho tradicional, a função poderia ficar com o secretário-executivo da pasta, o diplomata Marcelo Costa, mas a decisão não foi oficializada.

Inicialmente, Gleisi planejava tentar a reeleição como deputada federal, cargo do qual está licenciada. A mudança de rota ocorreu após um pedido direto de Lula, que avalia a candidatura ao Senado como estratégica. O objetivo é ampliar a bancada petista na Casa e conter o avanço do plano do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que trabalha para eleger uma maioria capaz de abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Haddad, Rui Costa e Tebet no radar - Outro nome central no debate interno é o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP). Apesar de negar publicamente qualquer intenção eleitoral, Haddad é visto por Lula como possível candidato ao Senado por São Paulo ou ao governo do Estado. Caso ele deixe o cargo, o secretário-executivo Dario Durigan desponta como principal nome para assumir a pasta.

“Eu disse em todas as ocasiões que não pretendia me candidatar em 2026. Isso vale para qualquer cargo”, afirmou Haddad, em entrevista ao UOL News, na segunda-feira (19).

Na Casa Civil, Rui Costa (PT-BA), um dos principais auxiliares do presidente, também deve sair para disputar as eleições. Ele é cotado para concorrer ao Senado ou até ao governo da Bahia, apesar de o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), estar no primeiro mandato. A secretária-executiva Miriam Belchior é apontada como sucessora natural.

A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), também deve deixar o governo para tentar uma nova vaga no Senado. Embora eleita por Mato Grosso do Sul, aliados avaliam que ela pode disputar o cargo por São Paulo, diante da perda de espaço político em seu estado de origem após apoiar Lula no segundo turno de 2022. O assessor especial da Casa Civil, Bruno Moretti, é citado como possível substituto.

Comunicação, igualdade racial e cenário paulista - O secretário de Comunicação, Sidônio Palmeira, deve deixar o cargo para coordenar a campanha de reeleição de Lula. Como não disputará mandato eletivo, ele não está sujeito ao prazo legal, mas sua saída também integra o redesenho político do governo.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco (PT), pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e, por isso, também deve se afastar do cargo até abril.

Em São Paulo, o Planalto acompanha com atenção os movimentos do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Caso ele decida disputar a Presidência, Lula avalia lançar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ao governo paulista. Mesmo se permanecer como vice, Alckmin terá de deixar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que pode ficar sob comando do secretário-executivo Márcio Elias Rosa.

Cultura, educação e outras pastas - A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, defende que a ministra da Cultura, Margareth Menezes, dispute uma vaga na Câmara dos Deputados. A cantora foi convidada a se filiar ao PT, mas ainda não respondeu oficialmente.

No Ministério da Educação, Camilo Santana (PT) é pressionado a concorrer ao governo do Ceará, caso Ciro Gomes seja candidato. Camilo, no entanto, afirma que seguirá no governo e atuará na campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas. Ele não precisa disputar o Senado, já que seu mandato vai até 2031.

Outros ministros já comunicaram ao Planalto a intenção de disputar eleições. Jader Filho (MDB), das Cidades, pretende concorrer à Câmara pelo Pará. André de Paula (PSD), da Pesca; Silvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos; e Waldez Góes (PDT), da Integração, também planejam deixar os cargos.

No Trabalho, Luiz Marinho (PT) desistiu de concorrer à reeleição como deputado após pedido de Lula. Segundo ele, a decisão prioriza o projeto político do presidente. O PT deve lançar Moisés Selerges, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Na área ambiental, Marina Silva (Rede-SP) é citada como possível candidata ao Senado por São Paulo, o que exigiria sua saída do Ministério do Meio Ambiente. Já Renan Filho (MDB), dos Transportes, confirmou que deixará o governo para disputar o governo de Alagoas.

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL), pretende buscar a reeleição como deputada federal, enquanto o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), planeja disputar novamente o Senado por Mato Grosso.

Com o calendário eleitoral avançando, o governo Lula entra em um período de transição que vai além das trocas administrativas. As mudanças indicam que a disputa de 2026 já influencia decisões centrais do Planalto e deve moldar o ritmo político dos próximos meses.

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