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04 de fevereiro de 2026 - 15h47
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PODER JUDICIÁRIO

Presidente do STJ é informado sobre denúncia de assédio sexual contra ministro da Corte

Caso envolvendo Marco Aurélio Buzzi foi levado ao CNJ e é investigado sob sigilo para preservar a vítima

4 fevereiro 2026 - 14h30Carolina Brígido
Marco Aurélio Buzzi, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em imagem de arquivo institucional.
Marco Aurélio Buzzi, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em imagem de arquivo institucional. - Foto: Reprodução/OAB Nacional

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin, foi informado na terça-feira (3) sobre uma denúncia de assédio sexual atribuída ao ministro Marco Aurélio Buzzi. O relato envolve uma adolescente de 18 anos e foi levado ao conhecimento do chefe do tribunal por um grupo de ministras da Corte. A informação foi divulgada pela revista Veja e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

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Segundo o que foi relatado ao presidente do STJ, o episódio teria ocorrido durante o recesso do Judiciário, em uma casa de praia do ministro, localizada em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. Buzzi teria recebido no local uma família de amigos. A jovem, filha do casal, contou que conhecia o ministro desde criança e o chamava de tio.

De acordo com o relato feito pela vítima, o ministro teria tentado agarrá-la à força. Após o ocorrido, a adolescente, acompanhada dos pais, registrou um boletim de ocorrência na polícia, formalizando a denúncia.

Manifestação do ministro - Procurado para comentar o caso, Marco Aurélio Buzzi se manifestou por meio da assessoria de imprensa do STJ. Em nota, o ministro afirmou que foi surpreendido pelas acusações e negou qualquer conduta inadequada.

“O ministro Marco Buzzi informa que foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos. Repudia, nesse sentido, toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”, diz o texto divulgado.

Até o momento, não há informação sobre eventual afastamento do magistrado de suas funções no tribunal.

Depoimento no CNJ - Na manhã desta quarta-feira (4), a família da jovem prestou depoimento ao corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, que também é ministro do STJ. O Conselho Nacional de Justiça informou, por meio de nota, que o caso está em tramitação sob sigilo.

Segundo o CNJ, a medida tem como objetivo preservar a intimidade e a integridade da vítima, além de evitar exposição indevida e situações de revitimização durante a apuração dos fatos.

Caso seja instaurado um procedimento administrativo e, ao final, o ministro venha a ser responsabilizado, as sanções possíveis vão desde advertência até aposentadoria compulsória, conforme previsto nas normas que regem a magistratura.

Esfera criminal - Além da apuração administrativa, a família foi orientada a procurar o Supremo Tribunal Federal (STF), instância competente para processar e julgar criminalmente ministros de tribunais superiores. Eventual investigação criminal depende de análise do caso pelo STF, que detém o foro adequado para esse tipo de procedimento.

A mãe da jovem, que é advogada, procurou ministros do STJ para relatar o ocorrido. Segundo um integrante da Corte ouvido sob reserva, não há disposição entre os colegas para blindar o ministro acusado diante da gravidade da denúncia.

O caso amplia a pressão sobre as instituições do Judiciário em relação à apuração de condutas envolvendo autoridades, especialmente quando há relatos de violência sexual e vítimas jovens.

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