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DECLARAÇÃO POLÊMICA

Michelle acusa Moraes e Gonet após demora para Bolsonaro ir a hospital

Ex-primeira-dama fala em negligência e cita caso de preso morto após atos de 8 de Janeiro

7 janeiro 2026 - 17h05João Pedro Bitencourt
Michelle Bolsonaro criticou a demora para autorização de exames médicos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro criticou a demora para autorização de exames médicos do ex-presidente Jair Bolsonaro. - (Foto: Brenno Carvalho)

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que, “mais uma vez”, haverá “sangue nas mãos” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A declaração foi feita em meio às críticas à demora para autorizar a ida do ex-presidente Jair Bolsonaro ao Hospital DF Star, em Brasília, para a realização de exames médicos. A liberação ocorreu apenas nesta quarta-feira (7).

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A fala de Michelle faz referência direta ao caso do empresário Cleriston Pereira da Cunha, preso por envolvimento nos atos golpistas de 8 de Janeiro e que morreu em 2023 após passar mal durante o banho de sol no Complexo da Papuda. Ao usar a expressão “mais uma vez”, ela associou a situação atual do ex-presidente à morte do detento, apontando responsabilidade das autoridades judiciais.

Cleriston, de 46 anos, respondia por crimes como associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. À época, a defesa havia solicitado liberdade provisória, e a Procuradoria-Geral da República emitiu parecer favorável em 1º de setembro de 2023. O pedido ainda não havia sido analisado pelo STF quando o empresário morreu.

Além da crítica direta a Moraes e Gonet, Michelle afirmou que Bolsonaro estaria sendo submetido a negligência e a condições que classificou como tortura. “Ele está em um quarto, trancado, que só pode ser aberto quando ele tem que tomar medicação. A primeira medicação do dia é às 8h da manhã, e isso nos preocupa”, disse a jornalistas.

Procurados por meio do STF e da PGR, Alexandre de Moraes e Paulo Gonet não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto.

Relato de queda e demora para exames - Nas primeiras horas de terça-feira (6), Michelle Bolsonaro informou, em publicação nas redes sociais, que o ex-presidente sofreu uma crise durante a madrugada, caiu e bateu a cabeça em um móvel. Ela relatou que tinha uma visita marcada para as 9h, mas só conseguiu entrar uma hora depois, pois Bolsonaro estava recebendo os primeiros atendimentos médicos.

Segundo Michelle, não há confirmação do horário exato da queda, e Bolsonaro não se lembra por quanto tempo teria permanecido desacordado. A equipe médica decidiu submetê-lo a exames para avaliação do quadro clínico. À CNN Brasil, o médico Cláudio Birolini afirmou que o ex-presidente sofreu um traumatismo craniano leve.

Ainda na tarde de terça-feira, Michelle disse que aguardava, no estacionamento do Hospital DF Star, a autorização do ministro Alexandre de Moraes para que os exames fossem realizados. De acordo com ela, mais de seis horas haviam se passado desde a queda, sem que os procedimentos necessários para avaliar possível dano neurológico tivessem sido feitos.

No mesmo dia, Moraes negou o pedido da defesa para a ida imediata de Bolsonaro ao hospital. Segundo o ministro, não havia indicação médica que justificasse encaminhamento urgente, conforme laudo apresentado pela Polícia Federal. A autorização para a realização dos exames foi concedida apenas na manhã desta quarta-feira (7), e Bolsonaro chegou ao hospital por volta das 11h20.

Histórico médico recente - Bolsonaro havia deixado o Hospital DF Star poucos dias antes do episódio. Ele ficou internado na unidade, em Brasília, da véspera de Natal até o Ano-Novo, período em que recebeu autorização do STF para passar por sua oitava cirurgia desde 2018, quando sofreu um atentado a faca durante a campanha eleitoral. A intervenção teve como objetivo tratar uma hérnia inguinal.

Durante a internação, o ex-presidente também passou por três procedimentos no nervo frênico, em um intervalo de quatro dias, para amenizar crises recorrentes de soluços. Ele recebeu alta médica na última quinta-feira (1º) e foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde segue cumprindo pena de 27 anos de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado em 2022.

No dia seguinte à alta, a defesa alegou que o local de detenção não oferece condições adequadas de tranquilidade, repouso e preservação da saúde. Os advogados apontaram a existência de ruído contínuo de ar-condicionado na Sala de Estado-Maior da PF. Diante da queixa, Alexandre de Moraes determinou que a corporação preste esclarecimentos sobre o barulho no prazo de cinco dias.

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