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07 de janeiro de 2026 - 17h53
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ATO POLÍTICO

Manifestantes protestam na Cinelândia contra ação dos EUA na Venezuela

Ato reuniu brasileiros e venezuelanos após anúncio do sequestro de Nicolás Maduro por tropas americanas

6 janeiro 2026 - 14h05
Protesto na Cinelândia reuniu brasileiros e venezuelanos contra a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela.
Protesto na Cinelândia reuniu brasileiros e venezuelanos contra a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

A Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, voltou a ser palco de mobilização política na tarde desta segunda-feira (6). Centenas de pessoas se reuniram no local para protestar contra a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no último sábado (3), após um ataque à capital Caracas.

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A manifestação foi organizada pela Frente de Esquerda Anti-imperialista em Solidariedade à Venezuela, articulação formada por cerca de 50 entidades. O protesto ocorreu dois dias após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar publicamente que tropas dos Estados Unidos haviam bombardeado o território venezuelano e levado Maduro à força para uma prisão em Nova York.

Segundo o governo norte-americano, o líder venezuelano é acusado de narcoterrorismo, tráfico de drogas para os Estados Unidos, posse de armas automáticas e conspiração. Em audiência realizada na segunda-feira (5), em um tribunal de Nova York, Maduro se declarou inocente de todas as acusações e afirmou ser um prisioneiro de guerra.

Durante o ato, venezuelanos que vivem no Brasil relataram surpresa e indignação com os acontecimentos. O estudante de mestrado Ali Alvarez, de 31 anos, que vive há oito anos no país, levou a Constituição venezuelana à manifestação. “Não esperava que isso acontecesse na Venezuela. Me senti indignado”, afirmou à Agência Brasil.

Aluno da pós-graduação em tecnologia para o desenvolvimento social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Alvarez avaliou que a ação dos Estados Unidos “representa uma violência ao povo venezuelano e à nossa Constituição Bolivariana”.

O músico e artista Alexis Graterol, de 49 anos, que vive no Brasil há duas décadas, também participou do protesto e classificou como falsas as acusações contra Maduro. Para ele, a ofensiva americana tem motivação econômica. “[Trump] deseja exclusivamente se apoderar de recursos naturais da Venezuela”, disse, ao citar declarações do presidente dos EUA sobre a intenção de levar grandes empresas petrolíferas americanas ao país.

Opiniões divergentes também estiveram presentes no ato. O psicólogo venezuelano Marco Mendoza, de 38 anos, que mora no Chile e estava de passagem pelo Rio, afirmou concordar com a intervenção. “A Venezuela já sofria intervenções da China, Rússia, Cuba e até do Hezbollah. Eu prefiro mais 25 anos pagando débito externo aos Estados Unidos do que ficar mais 25 anos com Maduro”, declarou.

O protesto contou ainda com a presença de manifestantes de outros países da América Latina. O cineasta colombiano Raúl Vidales, de 45 anos, demonstrou preocupação com possíveis desdobramentos da política externa americana na região. Segundo ele, a Colômbia já convive com bases militares dos EUA e forte presença de interesses ligados à defesa. “Espero que haja uma resistência cidadã forte por nossa soberania”, afirmou.

Representantes de partidos políticos brasileiros também participaram do ato. O presidente estadual do PCdoB, Daniel Iliescu, defendeu uma reação da sociedade civil e de organismos internacionais. “Esperamos que governos democráticos e entidades internacionais possam reagir e reverter essa situação de instabilidade”, disse. Para ele, a ação dos Estados Unidos sinaliza o enfraquecimento do multilateralismo e o avanço de práticas unilaterais no cenário global.

A mobilização na Cinelândia ocorre em um contexto de forte presença venezuelana no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que os venezuelanos formam o maior grupo de imigrantes no país, com cerca de 200 mil pessoas, dentro de um total aproximado de 1 milhão de estrangeiros residentes.

De acordo com o Subcomitê Federal para Acolhimento e Interiorização de Imigrantes em Situação de Vulnerabilidade, entre abril de 2018 e novembro de 2025, mais de 115 mil venezuelanos receberam apoio do Estado brasileiro para regularizar a situação e se estabelecer no país. Desse total, 3.290 foram encaminhados para o Rio de Janeiro.

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