
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou neste sábado (3) que o povo venezuelano está “livre da ditadura de Nicolás Maduro” e que há motivos para celebrar o fim do regime. A declaração foi feita em publicação na rede social X, na qual o chefe de Estado francês não condenou a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, ocorrida durante a madrugada.
Na mensagem, Macron responsabilizou Maduro por causar “grave dano à dignidade de seu próprio povo”, ao confiscar o poder e violar liberdades fundamentais ao longo dos últimos anos. Para o presidente francês, o momento agora exige uma transição política que respeite a vontade popular.
“A transição que está por vir deve ser pacífica, democrática e respeitosa à vontade do povo venezuelano”, escreveu. Macron afirmou ainda esperar que Edmundo González Urrutia, reconhecido por parte da comunidade internacional como vencedor das eleições de 2024, possa assumir a presidência e conduzir esse processo “o mais rápido possível”.
O presidente francês também destacou que mantém diálogo com parceiros da França na Venezuela e que o país europeu está em estado de atenção diante do cenário de instabilidade. Segundo ele, o governo francês está mobilizado para garantir, sobretudo, a segurança de seus cidadãos que se encontram no país sul-americano.
A posição de Macron contrasta com a manifestação feita mais cedo pelo ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot. Em publicação nas redes sociais, o chanceler afirmou que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela contraria o princípio do não uso da força, um dos pilares do direito internacional.
“A França lembra que nenhuma solução política duradoura pode ser imposta de fora e que os povos soberanos decidem sozinhos o seu futuro”, escreveu Barrot, sinalizando uma abordagem mais cautelosa do ponto de vista diplomático.
As declarações evidenciam nuances distintas dentro do próprio governo francês em relação à ofensiva norte-americana. Enquanto Macron enfatiza o fim do regime de Maduro e a expectativa por uma transição democrática, o Ministério das Relações Exteriores reforça os limites impostos pelo direito internacional e a defesa da soberania dos Estados.
A posição da França se soma às reações divergentes observadas entre líderes europeus e organismos multilaterais, em meio ao debate sobre a legalidade da intervenção dos Estados Unidos e os impactos políticos e humanitários da crise venezuelana.
