
Em entrevista à Rádio Itatiaia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas a um deputado federal, afirmando que ele "defendeu o crime organizado" ao divulgar informações erradas sobre uma suposta taxação do Pix. O comentário ocorreu após a deflagração de uma megaoperação contra o crime organizado, que envolveu diversos órgãos públicos, incluindo a Receita Federal, e mirou atividades ilegais no setor financeiro.

Lula destacou que a campanha do parlamentar contra as mudanças propostas pela Receita Federal, relacionadas ao monitoramento das transações financeiras, acabou beneficiando grupos criminosos. O presidente sugeriu que o deputado, ao propagar informações falsas, colaborou para fortalecer a rede de crime organizado no Brasil.
O parlamentar reagiu à acusação nas redes sociais, chamando a fala de Lula de "mentira torpe, criminosa e irresponsável" e prometendo acionar a Justiça por difamação. A polêmica se refere a um vídeo viralizado em janeiro, no qual o deputado espalhou boatos sobre uma possível taxação do Pix, sem apresentar informações claras sobre as mudanças nas normas fiscais da Receita Federal.
O secretário da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, também criticou as fake news espalhadas pelo parlamentar. Segundo ele, as mentiras sobre a taxação do Pix ajudaram a camuflar as atividades criminosas, especialmente de organizações ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que utilizam brechas nas fintechs para movimentar grandes quantias de dinheiro sem fiscalização.
A operação deflagrada na quinta-feira (28) mirou 42 alvos na região da Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, onde foram encontrados indícios de que o crime organizado utilizava fintechs e corretoras para lavar dinheiro. O esquema movimentou cerca de R$ 52 bilhões, blindando recursos por meio de 40 fundos de investimento.
O governo recuou e revogou a norma que ampliava a fiscalização sobre as transações financeiras após o deputado gerar uma onda de críticas, sendo visto por muitos como um “herói” diante das reações ao projeto de monitoramento. A regulamentação, que visava combater a sonegação e garantir maior transparência, foi alvo de especulações que distorceram seu objetivo.
Agora, com a revelação dos detalhes da operação, fica claro que a falta de fiscalização sobre as fintechs abriu espaço para que grupos criminosos aproveitassem lacunas na legislação, movimentando grandes quantias de forma ilícita. A ação da Receita Federal, portanto, visa não só regularizar o setor, mas também desarticular essas operações clandestinas.
O caso segue gerando desdobramentos, e a tensão entre as autoridades e o parlamentar continua a aumentar, com novos processos sendo prometidos.
