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04 de fevereiro de 2026 - 15h42
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DIREITOS DAS MULHERES

Lula lança pacto contra o feminicídio e cobra engajamento dos homens no combate à violência

Presidente afirma que enfrentar agressões contra mulheres é dever da sociedade e destaca atuação conjunta dos Três Poderes

4 fevereiro 2026 - 14h15
Presidente Lula discursa durante assinatura do pacto nacional para enfrentamento ao feminicídio, com presença de autoridades dos Três Poderes.
Presidente Lula discursa durante assinatura do pacto nacional para enfrentamento ao feminicídio, com presença de autoridades dos Três Poderes. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Ao assinar o decreto que institui o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (4) que o enfrentamento à violência contra mulheres deve ser uma responsabilidade coletiva, com papel central dos homens nesse processo. A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto e reuniu representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário.

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“Não basta não ser um agressor. É também preciso lutar para que não haja mais agressões. Cada homem desse país tem uma missão a cumprir”, afirmou o presidente durante o evento.

O pacto prevê ações coordenadas e permanentes entre os Três Poderes para prevenir a violência contra meninas e mulheres em todo o país. Segundo Lula, a iniciativa traz como diferencial o reconhecimento explícito de que a defesa das mulheres não pode ser atribuída apenas a elas.

“Estamos assumindo, pela primeira vez, que a responsabilidade na luta pela defesa da mulher não é só da mulher”, disse. O presidente afirmou ainda que o tema deve estar presente em diferentes espaços da sociedade, como sindicatos, escolas, universidades e no debate político.

“Estamos dizendo para o movimento sindical que este é um tema de porta de fábrica e de assembleia. Para deputados e deputadas, que esse assunto deve estar em todos os discursos. Estamos tentando conscientizar crianças, da creche à universidade. Esta é a possibilidade de criarmos uma nova civilização”, completou.

Lula destacou que a maior parte dos casos de violência e feminicídio ocorre no ambiente doméstico e é praticada por pessoas próximas às vítimas. “[As mulheres] morrem pelas mãos de atuais ou ex-maridos e ex-namorados, mas também pelas mãos de desconhecidos que cruzam o seu caminho”, afirmou.

O presidente também mencionou situações de violência motivadas por relações de poder e gênero no mercado de trabalho. “Morrem por causa de homens que não aceitam ser chefiados por mulheres. Para esses, é preciso dizer em alto e bom som: lugar da mulher é onde ela quiser estar”, concluiu.

A cerimônia foi aberta pela primeira-dama Janja da Silva, que leu o relato de uma mulher vítima de agressão por um namorado, espancada em público sem receber ajuda de pessoas que presenciaram a cena. “Essa história poderia ser minha ou de qualquer mulher aqui presente”, disse.

Janja fez um apelo para que homens se posicionem diante de situações de violência. “Temos todos o compromisso de tornar uma sociedade em que as mulheres possam viver em paz. Queremos vocês, homens, nessa luta, ao nosso lado”, afirmou.

Na sequência, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ressaltou que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma pauta prioritária do governo. Ela destacou que a campanha estratégica lançada durante o evento terá caráter de utilidade pública e que o Conselho da Federação atuará para engajar estados e municípios na iniciativa.

Representando o Judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que o combate ao feminicídio exige mais do que mudanças legais. “É preciso agir em várias frentes para prevenir, responsabilizar e proteger”, disse.

“A mudança na lei é importante, mas não é suficiente. Ela precisa vir acompanhada de uma mudança de mentes e corações no Estado, na sociedade e, principalmente, nas famílias”, acrescentou. Fachin afirmou que o Judiciário aderiu ao pacto “com senso de urgência e sentimento de esperança”.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, lembrou que o Brasil encerrou 2025 com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. “É inconcebível permitir que esses números continuem. Essa ação é inadiável”, afirmou, ao garantir prioridade legislativa para o endurecimento das leis contra agressores.

Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que o feminicídio deve ser tratado como problema de Estado. “Não é apenas uma estatística, mas uma chaga aberta na sociedade brasileira”, declarou. Segundo ele, o pacto representa um compromisso institucional permanente para combater a violência com rigor e prioridade absoluta.

Entre os objetivos do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio estão a aceleração do cumprimento de medidas protetivas, o fortalecimento das redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, a ampliação de ações educativas e a responsabilização dos agressores.

O acordo reconhece que a violência contra mulheres é uma crise estrutural que não pode ser enfrentada por iniciativas isoladas. O pacto também prevê a criação de um Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República, com representantes dos Três Poderes, ministérios públicos e defensorias públicas, para garantir acompanhamento contínuo, articulação federativa e transparência.

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