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20 de fevereiro de 2026 - 14h29
CAMARA
POLÍTICA INTERNACIONAL

Lula defende punição a redes sociais por conteúdo violento durante agenda na Índia

Presidente também cobra reforma da ONU e comenta relação entre Trump e Bolsonaro

20 fevereiro 2026 - 12h55Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi
Lula na Índia defende punição a plataformas que divulgarem conteúdo violento.
Lula na Índia defende punição a plataformas que divulgarem conteúdo violento. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Em entrevista concedida ao canal indiano India Today nesta sexta-feira, 20, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a regulamentação das redes sociais e afirmou que plataformas devem ser responsabilizadas quando divulgarem conteúdos violentos. A declaração foi feita durante sua passagem pela Índia, onde participa de compromissos oficiais desde a quarta-feira, 18.

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Ao abordar o funcionamento das redes digitais, Lula destacou que, embora sejam ferramentas importantes de comunicação, elas também têm sido usadas para disseminar desinformação e violência. Segundo ele, a ausência de controle adequado dificulta o enfrentamento desses problemas.

"Existe um lado negativo nas redes digitais, que são as pessoas de má-fé que usam essa mídia. As mentiras prevalecem, as coisas ruins prevalecem. É por isso que defendemos a regulamentação das plataformas, e a plataforma, quando divulga algo violento contra qualquer pessoa, deve ser punida e levada a julgamento pelo órgão regulador. Caso contrário, não conseguiremos lidar com o problema", afirmou Lula.

A fala ocorre em meio a debates internacionais sobre os limites da liberdade de expressão nas plataformas digitais e o papel das empresas de tecnologia na moderação de conteúdos. Ao defender punições, o presidente sinaliza que considera necessária uma atuação mais firme de órgãos reguladores para coibir abusos e garantir responsabilização.

Reforma da ONU entra na pauta - Durante a entrevista, Lula também comentou o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) no cenário internacional. Para ele, a entidade atravessa um momento de enfraquecimento, especialmente porque membros permanentes do Conselho de Segurança deixaram de dialogar de forma efetiva.

O presidente afirmou que trabalha para tornar a ONU mais representativa e capaz de responder aos conflitos atuais. Ele citou situações recentes para exemplificar o que considera falhas na estrutura atual da organização.

"Então, é preciso incluir mais pessoas para dar mais representatividade, para que possamos evitar o que aconteceu em Gaza, o que está acontecendo agora em dezenas de países do continente africano, golpes de Estado, guerras no continente africano. Portanto, é necessário que a ONU seja mais representativa. Hoje, ela não é, então, queremos mudar a ONU", disse Lula.

A defesa de uma reforma na estrutura da ONU, especialmente no Conselho de Segurança, é uma posição que o governo brasileiro tem reiterado em fóruns internacionais. O argumento central é que a configuração atual não reflete a realidade geopolítica contemporânea.

Relação entre Trump e Bolsonaro - Questionado sobre a relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que não demonstra preocupação com o vínculo entre os dois líderes. Segundo ele, sua prioridade é a relação institucional entre Brasil e Estados Unidos.

"O que me preocupa é a relação entre o Trump e o Brasil", afirmou o presidente, ao indicar que o foco do governo está na condução das relações diplomáticas entre os dois países.

Sobre Bolsonaro, Lula declarou que a situação do ex-presidente está definida judicialmente.

"A questão com Bolsonaro está resolvida. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, e ele ficará preso por um bom tempo, por um bom período", declarou ao India Today.

Lula está na Índia desde o dia 18 e permanece no país até este sábado, 21. Durante a visita, participou da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Délhi, ao lado de líderes mundiais como o primeiro-ministro indiano, Nahendra Modi, e o presidente da França, Emmanuel Macron.

No encontro, o presidente brasileiro defendeu a participação do chamado Sul Global nas discussões sobre a regulação das novas tecnologias. A proposta, segundo ele, é garantir que países em desenvolvimento tenham voz ativa na definição de regras para o uso da inteligência artificial e outras inovações digitais.

A viagem reforça a estratégia do governo brasileiro de ampliar o diálogo internacional em temas como tecnologia, governança global e reforma de organismos multilaterais. Ao tratar de redes sociais, ONU e relações diplomáticas em uma mesma entrevista, Lula posicionou o Brasil em debates que extrapolam fronteiras nacionais e impactam diretamente a política global.

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