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28 de janeiro de 2026 - 14h42
POLÍTICA EXTERNA

Lula critica uso da força na América Latina e defende diplomacia como caminho para a paz

Em fórum no Panamá, presidente afirma que intervenções militares não resolvem problemas históricos da região

28 janeiro 2026 - 12h35Geovani Bucci e Naomi Matsui
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso no Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso no Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (28) que o uso da força não é capaz de enfrentar os problemas históricos da América Latina e defendeu a diplomacia como principal instrumento de mediação entre os países do continente. A declaração foi feita durante a sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá, diante de líderes políticos e representantes do setor econômico da região.

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Ao discursar no evento, Lula criticou intervenções militares e classificou esse tipo de ação como um retrocesso histórico. Segundo o presidente, soluções baseadas na força não contribuem para a superação das desigualdades sociais, econômicas e políticas que ainda marcam os países latino-americanos e caribenhos.

“A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem este hemisfério, que é de todos nós”, afirmou o presidente brasileiro. Na avaliação de Lula, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos são práticas ultrapassadas e incompatíveis com os desafios atuais da região.

Durante o discurso, Lula também fez referência ao papel dos Estados Unidos nas relações com a América Latina. Sem adotar um tom de confronto, o presidente afirmou que já houve momentos em que o país norte-americano atuou como parceiro do desenvolvimento regional. “Entre tantas doutrinas que marcaram a história, também houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento”, disse.

A fala ocorre após críticas anteriores do presidente brasileiro à ação militar dos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cília Flores, no dia 3 de janeiro. Embora não tenha citado diretamente o episódio durante o evento no Panamá, Lula reforçou a defesa de uma política externa baseada no diálogo e na cooperação entre as nações.

Para o presidente, a promoção da “liberdade contra o medo” passa necessariamente pelo desarmamento e pela limitação do recurso à força nas relações internacionais. Segundo ele, é fundamental que os países da América Latina invistam em mecanismos institucionais capazes de equilibrar interesses nacionais distintos, sem recorrer a agressões ou confrontos armados.

Lula destacou que a manutenção da América Latina e do Caribe como uma zona de paz depende do respeito ao direito internacional e de uma inserção soberana dos países da região no cenário global. Na avaliação do presidente, esse processo exige lideranças comprometidas com o diálogo e com soluções coletivas para desafios comuns.

O presidente brasileiro também defendeu uma política de boa vizinhança entre os países do continente. De acordo com ele, essa postura tem como objetivo substituir a lógica da intervenção militar pela diplomacia, fortalecendo relações baseadas na cooperação, no respeito mútuo e no desenvolvimento sustentável.

Outro ponto abordado no discurso foi a necessidade de integração regional. Lula afirmou que nenhum país da América Latina será capaz de resolver seus problemas de forma isolada e defendeu a construção de um bloco econômico regional capaz de enfrentar desafios como a fome e a desigualdade social.

Segundo o presidente, a superação dos obstáculos históricos da região depende de vontade política conjunta entre os países. Ele citou nominalmente nações como Chile, Argentina, Colômbia, Panamá, Venezuela e Honduras como exemplos de países que precisam atuar de forma coordenada para fortalecer a América Latina no cenário internacional.

Ao encerrar sua participação no fórum, Lula reforçou a importância da cooperação regional como estratégia para garantir estabilidade política, crescimento econômico e melhoria das condições de vida da população latino-americana.

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