Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
23 de janeiro de 2026 - 22h43
SEGOV IPVA
POLÍTICA

Lula critica Trump, fala em crise do multilateralismo e diz que ONU está sendo esvaziada

Em encontro do MST, presidente afirma que política global vive a lógica da força e rejeita nova ordem liderada pelos EUA

23 janeiro 2026 - 21h15Agência Brasil
Lula discursa em encontro do MST e critica a política externa dos Estados Unidos e o enfraquecimento da ONU.
Lula discursa em encontro do MST e critica a política externa dos Estados Unidos e o enfraquecimento da ONU. - (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (23) que a política internacional atravessa um momento crítico, marcado pelo enfraquecimento do multilateralismo e pela imposição do unilateralismo nas relações entre os países. A declaração foi feita durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado em Salvador.

Canal WhatsApp

Segundo Lula, princípios fundamentais da Organização das Nações Unidas (ONU) vêm sendo desrespeitados e substituídos pela lógica da força. Para o presidente, a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar um Conselho de Paz representa uma tentativa de concentrar poder e esvaziar os mecanismos multilaterais existentes.

“Está prevalecendo a lei do mais forte. A carta da ONU está sendo rasgada. Em vez de corrigir a ONU, como defendemos desde 2003, com uma reforma que inclua novos países no Conselho de Segurança, o presidente Trump faz uma proposta para criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono”, declarou.

Trump convidou Lula a integrar o Conselho de Paz que os Estados Unidos pretendem criar para supervisionar o trabalho de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza. O presidente brasileiro, no entanto, demonstrou resistência à iniciativa e afirmou que tem buscado diálogo com outras lideranças globais para discutir alternativas.

Lula disse que vem conversando com chefes de Estado como o presidente da China, Xi Jinping; o presidente da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum. O objetivo, segundo ele, é construir uma articulação internacional em defesa do multilateralismo.

“Estou conversando para que a gente encontre uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado no chão e que predomine a força da arma e da intolerância”, afirmou.

Críticas à atuação dos EUA na Venezuela

Durante o discurso, Lula voltou a criticar duramente a atuação dos Estados Unidos na Venezuela. Ele classificou como grave a violação da soberania do país vizinho após a ação que resultou na retirada do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama e deputada Cilia Flores.

“Eu fico indignado com o que aconteceu na Venezuela. Como é possível desrespeitar a integridade territorial de um país dessa forma? Isso não existe na América do Sul, que é um território de paz”, disse.

Lula ressaltou que o Brasil não pretende se alinhar automaticamente a nenhuma potência internacional. Citando Estados Unidos, China, Rússia e Cuba, afirmou que o país busca relações equilibradas, sem submissão.

“O Brasil não tem preferência. Mas não vamos aceitar voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”, declarou.

O presidente também criticou a postura de Trump em relação ao uso do poder militar. Segundo Lula, a política externa brasileira deve se basear no diálogo e na persuasão, não na intimidação.

“Não quero fazer guerra armada com ninguém. Quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumentos, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível”, afirmou. “Não queremos mais Guerra Fria, não queremos mais Gaza”, completou.

Encontro do MST

O evento marcou os 42 anos do MST, celebrados no dia 22 de janeiro, e reuniu mais de 3 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais de todas as regiões do país. O encontro começou na segunda-feira (19) e debateu temas como reforma agrária, agroecologia, agricultura familiar, soberania alimentar e conjuntura política.

Ao final do ato, o MST entregou uma carta ao presidente. No documento, o movimento critica o avanço do imperialismo, a invasão da Venezuela e o que classifica como ataques à soberania dos povos. O texto também aponta o interesse econômico por recursos naturais como petróleo, minérios, terras raras, água e florestas.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop