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SAÚDE PÚBLICA

Lula critica falta de investimento histórico no SUS e cobra rapidez em hospitais inteligentes

Presidente afirma que o país paga o preço por não ter investido antes e volta a criticar o fim da CPMF

7 janeiro 2026 - 12h35Gabriel Hirabahasi
Presidente Lula discursa em evento que anunciou a criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS
Presidente Lula discursa em evento que anunciou a criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quarta-feira (7) que o Brasil deixou de avançar em áreas estratégicas, como a saúde pública, por causa de uma cultura histórica de resistência ao investimento. Segundo ele, o discurso de que “gasta-se muito” ou de que “não há dinheiro” impediu o país de executar projetos no momento certo, o que acabou gerando custos ainda maiores ao longo do tempo.

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A declaração foi feita durante a cerimônia de anúncio da criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS), iniciativa que prevê a modernização da rede pública com apoio financeiro internacional. Para Lula, o problema não está apenas no valor dos investimentos, mas no atraso em executá-los.

“O Brasil não está mais avançado, melhor ou em outro patamar porque, nesse País, sempre se utilizou a palavra ‘gasta-se muito’, ‘é muito caro’, ‘não dá para fazer’. E a gente nunca se perguntou quanto custou não ter feito as coisas na hora em que deveria fazer”, afirmou o presidente.

A fala estabelece um contraponto direto à lógica de contenção de gastos aplicada em diferentes períodos da história recente, especialmente na área da saúde. Para Lula, o custo da omissão é mais alto do que o investimento necessário para estruturar políticas públicas de longo prazo.

Ainda durante o evento, o presidente voltou a criticar a extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), derrubada pelo Congresso Nacional em 2007. Segundo ele, a decisão teve impacto direto no financiamento do SUS e provocou perdas bilionárias ao sistema de saúde.

“O Congresso derrubou a CPMF achando que ia me prejudicar. Na verdade, quem foi prejudicado foi o SUS, que perdeu bilhões de reais todos os anos”, disse. Lula afirmou que, desde então, o sistema de saúde público deixou de contar com uma fonte importante de recursos. “Passamos todo esse tempo faltando a CPMF, que tão bem poderia ter ajudado a saúde neste País”, completou.

Ao defender o fortalecimento do SUS, Lula também ressaltou a importância da imagem positiva que o sistema consolidou junto à população, especialmente durante a pandemia de covid-19. Segundo ele, a atuação do SUS no enfrentamento da crise sanitária reforçou uma legitimidade que, na avaliação do governo, já existia, mas passou a ser reconhecida de forma mais ampla.

“A recuperação da imagem que o SUS conquistou no Brasil, depois da apoteótica participação para salvar gente da covid-19, deu ao sistema uma legitimidade que a gente já sabia que tinha”, afirmou.

No anúncio da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes, o presidente destacou que parte dos recursos virá de empréstimos do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos Brics. Lula pediu celeridade na aplicação do dinheiro e citou diretamente a presidente da instituição, Dilma Rousseff, além do Ministério da Fazenda e do Ministério da Saúde.

Segundo o presidente, a demora na execução de projetos estruturantes compromete a entrega de resultados à população. Por isso, cobrou que os recursos sejam utilizados o quanto antes para viabilizar a construção e modernização das unidades hospitalares.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, presente na cerimônia, informou que o prazo estimado para a construção de um hospital inteligente varia entre três e quatro anos. A declaração reforça que se trata de um projeto de médio prazo, com impacto estrutural no sistema público de saúde.

A proposta dos hospitais inteligentes prevê o uso de tecnologia, integração de dados e maior eficiência na gestão e no atendimento, alinhando o SUS a modelos mais modernos de assistência. Para o governo federal, a iniciativa simboliza uma mudança de postura: investir agora para reduzir custos e problemas no futuro.

Ao relacionar o debate sobre financiamento, imagem pública e capacidade de resposta do SUS, Lula buscou reforçar a narrativa de que o país precisa superar a lógica do curto prazo. Para ele, a pergunta central não deve ser apenas quanto custa investir, mas quanto custa não investir quando a sociedade mais precisa.

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