
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançará a marca de 15 trocas no primeiro escalão do governo desde o início do atual mandato, em janeiro de 2023, com a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A média é de uma mudança a cada dois meses e doze dias, ritmo que expõe dificuldades políticas e ajustes constantes na condução da Esplanada dos Ministérios.
Lewandowski entregou a carta de demissão nesta quinta-feira (8), após cerca de um ano no cargo. Conforme revelou a Coluna do Estadão, a dificuldade de avançar com pautas centrais da área, como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção, pesou na decisão. Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro também demonstrava incômodo com o que classificava como “irracionalidade” no debate público sobre segurança, avaliação que, segundo interlocutores, tende a se agravar em um ano eleitoral.
Além do desgaste político, Lewandowski enfrentou entraves internos. Projetos enviados pelo MJSP ficaram meses retidos na Casa Civil, o que aumentou a tensão entre os ministérios e enfraqueceu a atuação da pasta. Até a definição de um novo titular, o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto assume o comando de forma interina.
Auxiliares do presidente afirmam que Lula busca um nome com perfil semelhante ao de Flávio Dino, antecessor de Lewandowski na Justiça e hoje ministro do STF. No PT, há defesa aberta do nome do advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas.
Desde 2023, Lula promoveu mudanças motivadas por crises políticas, denúncias, disputas com o Centrão e ajustes estratégicos com foco na eleição presidencial de 2026. Veja os principais casos:
Turismo – Celso Sabino para Gustavo Feliciano
Em dezembro de 2025, Lula demitiu Celso Sabino após sua expulsão do União Brasil. A troca buscou recompor a relação com o partido. Gustavo Feliciano assumiu, mantendo a legenda no comando da pasta.
Secretaria-Geral da Presidência – Márcio Macêdo para Guilherme Boulos
Márcio Macêdo foi substituído por Guilherme Boulos (PSOL-SP), em movimento que sinalizou uma guinada à esquerda e tentativa de reaproximação do Planalto com movimentos sociais.
Ministério das Mulheres – Cida Gonçalves para Márcia Lopes
Cida Gonçalves deixou o cargo em maio de 2025 após denúncias de assédio moral e xenofobia. Márcia Lopes, ex-ministra do Desenvolvimento Social, assumiu a pasta.
Previdência Social – Carlos Lupi para Wolney Queiroz
Lupi deixou o ministério após denúncias de fraudes no INSS, investigadas pela PF e CGU. Wolney Queiroz, então secretário-executivo, assumiu.
Comunicações – Juscelino Filho para Frederico Siqueira Filho
Juscelino pediu demissão após denúncia da PGR por desvio de emendas. Frederico Siqueira Filho assumiu após recusa de indicação política.
Relações Institucionais – Alexandre Padilha para Gleisi Hoffmann
Gleisi assumiu a articulação política do governo em fevereiro de 2025, enquanto Padilha foi deslocado para a Saúde.
Saúde – Nísia Trindade para Alexandre Padilha
Nísia Trindade foi demitida após desgaste político. A troca reforçou o perfil político da pasta em meio à queda de popularidade do governo.
Secom – Paulo Pimenta para Sidônio Palmeira
Sidônio Palmeira assumiu a comunicação do governo em janeiro de 2025 para reformular a estratégia visando 2026.
Direitos Humanos – Silvio Almeida para Macaé Evaristo
Silvio Almeida foi demitido após denúncias de assédio sexual. Macaé Evaristo assumiu a pasta.
Justiça – Flávio Dino para Ricardo Lewandowski
Lewandowski entrou no governo após Dino ser indicado ao STF, em 2023.
Esportes – Ana Moser para André Fufuca
A troca ocorreu em setembro de 2023, como parte de acordo com o Centrão.
Portos e Aeroportos – Márcio França para Silvio Costa Filho
França foi remanejado para o Ministério do Empreendedorismo, criado na gestão Lula.
Turismo – Daniela Carneiro para Celso Sabino
Mudança feita após pressão do Centrão por mais espaço no governo.
GSI – General Gonçalves Dias para General Amaro
Primeira baixa do governo, após os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.

