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CARNAVAL

Homenagem a Lula reacende debate após escola ser rebaixada no Rio

Caso da Acadêmicos de Niterói em 2026 lembra episódio de 2006 em São Paulo, quando escola que citou Alckmin e Serra também caiu de grupo

19 fevereiro 2026 - 14h05Vanessa Araujo
Escola homenageou o presidente Lula e terminou rebaixada no Grupo Especial do Rio.
Escola homenageou o presidente Lula e terminou rebaixada no Grupo Especial do Rio.

O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro reacendeu uma discussão antiga: até onde vai a manifestação cultural e onde começa a promoção política na avenida? A escola, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026, terminou na última colocação do Grupo Especial e caiu para a Série Ouro.

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A coincidência chamou atenção porque, há 20 anos, situação semelhante ocorreu em São Paulo. Em 2006, a Leandro de Itaquera levou ao Sambódromo do Anhembi alegorias com referências ao então governador Geraldo Alckmin e ao então prefeito José Serra, ambos do PSDB. Naquele ano, a escola também foi rebaixada.

O episódio de 2006 em São Paulo - Naquele desfile, a Leandro de Itaquera apresentou oficialmente um enredo sobre festas e tradições paulistas. No entanto, incluiu referências às obras de rebaixamento da calha do Rio Tietê, uma das principais vitrines administrativas dos tucanos.

Um dos carros alegóricos exibia bonecos em grandes proporções de Alckmin e Serra, além de um busto do ex-governador Mário Covas e a imagem de um tucano na parte frontal.

A apresentação provocou reação do PT na Câmara Municipal de São Paulo. Vereadores ingressaram com ação popular para tentar impedir o desfile com menções aos políticos do PSDB. Também pediram apuração sobre eventual uso de recursos públicos e alegaram possível infração à legislação eleitoral.

Ao fim daquele carnaval, a escola acabou rebaixada.

Em 2026, a Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem a Lula. Após a apuração, a escola terminou na última colocação do Grupo Especial e foi rebaixada.

No Rio, no entanto, o rebaixamento de escolas recém-promovidas da Série Ouro para o Grupo Especial é considerado comum, especialmente no primeiro ano na elite. Ainda assim, a coincidência entre homenagens a figuras políticas em período pré-eleitoral e a queda na classificação reacendeu o debate.

Reações e disputa judicial - O desfile da escola fluminense gerou críticas antes mesmo da apuração. O Partido Novo anunciou que acionará novamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a inelegibilidade de Lula, alegando campanha antecipada. A legenda já havia tentado barrar a apresentação.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o presidente estaria utilizando dinheiro público para se promover e declarou que também pretende ingressar com ação no TSE.

A Frente Parlamentar Católica e a Frente Parlamentar Evangélica no Congresso afirmaram que o desfile desrespeitou a fé cristã e estudam medidas judiciais.

A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) declarou que a escola teria cometido prática de preconceito religioso contra cristãos.

Já o presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou como “ridícula” a tentativa de transformar a homenagem em desgaste político.

Cultura ou palanque? - Os dois episódios — separados por duas décadas — mostram como o carnaval, tradicionalmente ligado à cultura popular e à crítica social, pode se tornar palco de disputas políticas e jurídicas.

Em 2006, o debate envolveu lideranças do PSDB em São Paulo. Em 2026, o foco está no presidente da República no Rio de Janeiro. Em comum, além das alegorias com figuras públicas, está o rebaixamento das escolas após desfiles que ultrapassaram o campo artístico e entraram no terreno político.

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