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19 de janeiro de 2026 - 14h59
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ECONOMIA

Haddad diz que juros altos explicam dívida pública e defende corte da Selic

Ministro afirma que déficit caiu nos últimos anos, elogia atuação do Banco Central e comenta críticas sobre aumento de tributos

19 janeiro 2026 - 13h35
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante entrevista nesta segunda-feira.
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante entrevista nesta segunda-feira. - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que o principal fator de pressão sobre a dívida pública brasileira não está no volume de gastos do governo, mas no nível elevado dos juros reais da economia. A declaração foi feita durante entrevista ao programa UOL News, na qual o ministro apresentou dados para sustentar que o déficit primário vem sendo reduzido de forma consistente.

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Segundo Haddad, o resultado fiscal melhorou de maneira expressiva nos últimos dois anos. Ele destacou que o déficit primário foi reduzido em cerca de 70% nesse período e que as metas fiscais vêm se tornando mais rigorosas a cada exercício.

“Em dois anos, nós reduzimos em 70% o déficit primário. O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo”, afirmou.

O ministro acrescentou que a meta fiscal estabelecida para este ano é mais exigente do que a dos anos anteriores, inclusive em comparação com o início do atual governo. “Nós estamos subindo o sarrafo das exigências”, disse.

Haddad também comparou os resultados recentes com projeções feitas no governo anterior. De acordo com ele, o déficit estimado para 2023, ainda na gestão de Jair Bolsonaro, ultrapassava 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Já o resultado do ano passado, mesmo considerando exceções fiscais, ficou em 0,48% do PIB.

“Quanto foi o déficit do ano passado, considerando todas as exceções? Foi de 0,48%, isso incluindo medidas como o Plano Brasil Soberano, por causa do tarifaço, e a devolução de recursos aos trabalhadores do INSS que foram lesados”, afirmou.

Na avaliação do ministro, esses números indicam que o desequilíbrio fiscal não é o principal problema das contas públicas no momento.

Juros e Banco Central - Durante a entrevista, Haddad afirmou que existe espaço para a redução da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15%. Embora tenha evitado estabelecer prazos ou percentuais, ele deixou claro que considera possível uma flexibilização da política monetária.

“Quando me perguntam sobre isso, eu falo que tem espaço para cortar, porque eu acho que tem”, disse.

Mesmo defendendo a queda dos juros, o ministro elogiou a atuação de Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central. Haddad avaliou que Galípolo assumiu a instituição em meio a problemas herdados da gestão anterior, citando como exemplo o caso envolvendo o Banco Master.

“O Banco Master não aconteceu na gestão atual. Ele descascou um abacaxi e fez isso com responsabilidade”, afirmou.

Ainda ao tratar do tema, Haddad defendeu mudanças no modelo de fiscalização do sistema financeiro. Para ele, o Banco Central deveria assumir a supervisão dos fundos de investimento, função que hoje cabe à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo o ministro, há uma proposta em discussão no governo para ampliar o perímetro regulatório do BC.

“Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que está no âmbito da CVM, na minha opinião, equivocadamente”, disse.

Haddad explicou que a atuação dos fundos tem impacto direto em áreas como a contabilidade pública, citando operações como contas remuneradas e compromissadas.

Apelido e política tributária - Questionado sobre o apelido “Taxad”, utilizado por críticos nas redes sociais em referência ao aumento de tributos, o ministro afirmou que não se incomoda com a alcunha. Segundo ele, a política tributária atual corrigiu distorções históricas.

“Fico muito feliz de ser lembrado como o único ministro da Fazenda dos últimos 30 anos que taxou offshore, fundo familiar fechado, paraíso fiscal e dividendo”, afirmou.

Haddad destacou ainda a taxação de setores específicos, como bancos, casas de apostas e grandes fortunas. “Banco, bet e bilionário foram taxados. Essa turma que não pagava imposto voltou a pagar”, completou.

Economia e eleições - Na parte final da entrevista, o ministro avaliou que a economia, embora relevante, não deve ser decisiva nas próximas eleições presidenciais, no Brasil ou em outros países. Para ele, pesquisas apontam outras preocupações centrais da população, como segurança pública e combate à corrupção.

“A economia está sendo um elemento muito importante no mundo inteiro, mas não necessariamente decisivo para ganhar ou perder uma eleição”, afirmou.

Haddad também disse que não pretende disputar cargos eletivos nas próximas eleições. Segundo ele, o tema já foi tratado em conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda não houve uma definição formal sobre seu futuro político.

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