
Campo Grande recebe nesta quarta-feira (5) o programa Governo na Rua – Feira da Cidadania, com presença do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. A ação acontece das 8h às 18h, no CEU das Artes, na Rua Maria Del Horno Samper, 981, no Parque do Lageado, e leva uma série de serviços federais diretamente aos moradores da região sul da cidade.
Entre os atendimentos ofertados estão serviços do INSS, apoio para acessar a conta Gov.br, orientações da Caixa Econômica Federal, ações voltadas às mulheres, inclusão digital, registro e microchipagem de animais, além de encaminhamentos em diferentes áreas. A proposta, segundo o ministro, é “ir onde o governo normalmente não chega” e facilitar o acesso a direitos básicos.
“Nós vamos passar por todas as 27 capitais do Brasil, com determinação do presidente Lula, daqui até julho, levando a Feira da Cidadania”, afirmou Boulos. “Campo Grande é uma região rica do país, mas isso não quer dizer que não tenha necessidades, que não tenha carências. O Lula orientou: vamos para as periferias, vamos onde o governo não chega.”
Mutirão do INSS e foco nas filas -Um dos focos da ação em Campo Grande é o atendimento do INSS, especialmente para quem está há meses aguardando perícia ou análise de benefício.“Quem aqui em Mato Grosso do Sul, nessa região em particular, está na fila do INSS para uma perícia, para um benefício porque o filho tem deficiência ou qualquer outra situação, vai passar aqui, atualizar o cadastro, fazer a perícia na hora e sair com o seu benefício”, prometeu o ministro.
Boulos reconheceu que a fila do INSS ainda é “um pesadelo” para muitos brasileiros, mas afirmou que o governo federal trabalha em várias frentes para reduzir o tempo de espera.
Ele lembrou a contratação de novos servidores, inclusive peritos, o avanço da digitalização do sistema e a criação do Previmóvel – veículo que percorre diferentes regiões para fazer atendimento e busca ativa de beneficiários. “É possível zerar a fila, não de um dia para o outro”, disse. “O esforço do Governo na Rua, junto com o INSS e o Ministério da Previdência, é pegar a fila da perícia nessas regiões em que a gente chega e zerar. Mas não adianta ser só agora na Feira da Cidadania, tem que ter ação contínua. Por isso foi criada a fila única e estamos buscando desburocratizar o sistema para que o direito chegue no povo.”
Ministro Guilherme Boulos atende imprenssa em Campo GrandePé-de-Meia e acesso a programas sociais - Durante a feira, equipes do Ministério da Educação também fazem atendimento sobre o Pé-de-Meia, programa que funciona como uma espécie de poupança para estudantes do ensino médio da rede pública.
Boulos destacou que muitos pais e alunos ainda não sabem que têm direito ao benefício. “Tem muitos pais que os filhos têm direito ao Pé-de-Meia e nem sabem. O filho não está recebendo. Aqui está o MEC cadastrando o Pé-de-Meia para quem precisa”, explicou. “A Feira da Cidadania é isso: trazer para perto programas que já existem, mas que o povo muitas vezes não consegue acessar por causa da burocracia, da fila ou porque não tem acesso ao digital.”
Além do MEC e do INSS, a estrutura montada no CEU das Artes inclui orientação da Caixa Econômica Federal, serviços voltados às mulheres, ações de inclusão digital, além do registro e microchipagem de animais, aproximando também políticas públicas de bem-estar animal da comunidade.
Escuta aos movimentos e prazo de 15 dias - Antes da entrevista, o ministro se reuniu com movimentos sociais, representantes da reforma agrária e lideranças comunitárias, que apresentaram uma série de reivindicações. Segundo Boulos, a agenda no bairro não se resume a discursos e fotos.
“Nós viemos para escutar as pessoas. Política de verdade tem que ser assim: ouvir a demanda das pessoas”, afirmou. “Teve demanda de moradia e regularização fundiária, demanda de água, problema de abastecimento não só em Campo Grande, mas no interior. Teve questão de assentamentos da reforma agrária parados há muito tempo e o tema da saúde na periferia.”
Boulos disse ter levado à cidade a equipe da Secretaria de Participação Social para organizar as pautas apresentadas. “O presidente Lula determinou: empresário, grande empresário, gente rica, bilionário e banqueiro sempre são ouvidos na política. O trabalhador e o movimento social também têm que ser ouvidos com o mesmo respeito”, declarou. “A minha secretária de Participação Social, Isadora, está recolhendo os documentos dos movimentos. Vamos falar com todos os órgãos responsáveis e, em 15 dias, dar uma resposta a essa pauta.”
O ministro ponderou que nem tudo poderá ser resolvido de imediato ou apenas pelo governo federal. “Tem coisa que nós não vamos ter condição de resolver em 15 dias, porque é mais complexa ou porque não é responsabilidade do governo federal, e sim do Estado ou da prefeitura. Mas o que a gente puder resolver, vamos montar uma força-tarefa para atender.”
Ministro Guilherme Boulos participa do Governo na Rua, no CEU das Artes, Parque do Lageado, levando serviços do INSS e programas federais à população de Campo Grande.Boulos defende fim da jornada 6x1 - Na entrevista, Boulos também antecipou uma das prioridades da Presidência para a agenda trabalhista: o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso, conhecida como escala 6x1, comum no comércio e em serviços. “Tem muitos trabalhadores aqui e em todo o Brasil, principalmente no comércio, serviços e varejo, na escala 6x1. São seis dias trabalhando e só um para descansar. Isso é desumano”, criticou. “O governo Lula vai mandar um projeto para acabar com a 6x1: no máximo cinco dias de trabalho e no mínimo dois dias de descanso para todo o povo trabalhador do Brasil.”
Segundo o ministro, a proposta busca garantir mais tempo para convivência familiar, estudo, lazer e cuidado com a casa e os filhos.
Comparação com governo anterior e investimentos em MS - Ao falar sobre as demandas apresentadas pelos movimentos, Boulos fez questão de comparar os investimentos da atual gestão com os do governo anterior.
“Se você pegar o governo anterior, os investimentos no Brasil e no Mato Grosso do Sul caíram. A educação caiu 18%”, afirmou. “Agora, no governo do presidente Lula, só para a educação são mais de R$ 5 bilhões no Mato Grosso do Sul, não só no Pé-de-Meia, mas em reformas de escola e melhorias pelo PAC na educação.”
Ele também citou a retomada do Minha Casa, Minha Vida no Estado.“São quase 6 mil apartamentos e casas contratados nesse governo. No governo anterior foi zero, não teve nada”, disse.
Boulos ressaltou que os investimentos federais não dependem da filiação partidária do governador. “O governador de Mato Grosso do Sul não é do partido do presidente, tem visão diferente. Mas isso não quer dizer que o Lula, porque o governador é de outro partido, vai prejudicar o povo do Mato Grosso do Sul. Pelo contrário, ampliou os investimentos”, afirmou.
Eleições e permanência no governo - Questionado se será candidato nas eleições deste ano, Boulos disse não ter esse plano no momento. “Eu não pretendo sair como candidato. Já sou deputado federal, hoje licenciado como ministro. Mas política é missão, não pode ser só pular de um cargo para outro”, respondeu. “O presidente me pediu para ajudar na coordenação da campanha e rodar o Brasil para ouvir o povo. Nesse momento, estou cumprindo essa missão e devo ficar com o presidente Lula até o final.”
Sobre o cenário eleitoral em Mato Grosso do Sul, ele evitou comentar palanques e articulações locais, mas demonstrou confiança em um crescimento da base de Lula no Estado. “O Lula já teve 40% aqui. De cada 10 eleitores, 4 votaram nele. Acho que tem espaço para crescer mais, basta comparar as realizações”, disse. “Na hora do vamos ver, quando a gente mostrar quem faz de verdade e quem só fala, quem vive de fake news, isso vai ter peso na eleição.”
Serviço – Governo na Rua em Campo Grande - O programa Governo na Rua – Feira da Cidadania acontece nesta quarta-feira (5), das 8h às 18h, no CEU das Artes, na Rua Maria Del Horno Samper, 981, Parque do Lageado, em Campo Grande. A população tem acesso a serviços do INSS, orientação para conta Gov.br, atendimentos da Caixa Econômica Federal, ações para mulheres, inclusão digital, registro e microchipagem de animais e encaminhamentos em diversas áreas.

