
O ex-ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, Gilson Machado Neto, oficializou nesta sexta-feira, 13, sua filiação ao Podemos e fez críticas ao Partido Liberal (PL), legenda à qual era vinculado. Durante o discurso no evento de filiação, afirmou que “a direita não tem dono”, em referência ao antigo partido.
“O eleitor de direita é diferente do eleitor de esquerda. Ele é dono da própria consciência. A direita não tem dono. Cada eleitor de direita tem sua rede social e tira suas próprias definições de quem merece o seu voto ou não”, declarou.
Machado afirmou que não havia mais espaço para sua permanência no PL. “Infelizmente, quando eu vejo que não me cabe mais em um local, eu prefiro sair para não arrumar confusão. Então, saí tranquilo e pela porta da frente”, disse.
Críticas ao PL e apoio a Flávio
O ex-ministro também criticou a falta de mobilização em torno da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto.
“Nas redes sociais, não tem uma menção a Flávio Bolsonaro em três meses de pré-campanha. Por curiosidade, abram o PL Mulher e o PL Pernambuco. Não tem uma menção. Eu fui voto vencido, não fui nem ouvido, por isso decidi sair e procurar quem me deu ambiente bom, o que eu estou sentindo no Podemos”, afirmou.
Apesar da saída do PL, Machado reafirmou fidelidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e anunciou que será candidato à Câmara dos Deputados por Pernambuco.
“Eu não vou mais para uma campanha em que eu não possa ajudar Bolsonaro e Flávio lá em Brasília. O que adianta eu me candidatar a senador, quase ser eleito, mas não chegar lá, como em 2022? Então, eu sou muito mais útil à causa tendo mandato de deputado federal”, declarou.
Segundo ele, o Podemos lhe concedeu “carta branca” para atuar na campanha de Flávio Bolsonaro.
Disputa interna
Quando anunciou a desfiliação, em janeiro, Gilson Machado ainda dizia que disputaria uma vaga ao Senado por Pernambuco. O PL enfrentava uma disputa interna entre ele e o presidente estadual da legenda, Anderson Ferreira, para definir o nome ao cargo. Com a saída de Machado, a tendência é que Ferreira seja o escolhido.
O ex-ministro afirmou que não conseguiu comunicar pessoalmente sua decisão a Bolsonaro por estar com restrições de deslocamento e impedido de deixar Recife. Segundo ele, a mudança foi compartilhada com Flávio Bolsonaro e Renato Bolsonaro.
Machado também criticou o diretório estadual do PL, que, segundo ele, se posicionou contra sua eventual candidatura ao Senado, mesmo com apoio de Bolsonaro. Ele apontou ainda a falta de presença da legenda em Pernambuco. “Mesmo sendo o partido de Bolsonaro, não tem uma prefeitura em Pernambuco, infelizmente”, disse.
Prisão e medidas cautelares
Em junho do ano passado, Gilson Machado foi preso pela Polícia Federal no Recife. Segundo a PF e a Procuradoria-Geral da República, ele teria tentado obter um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, deixar o Brasil. Machado negou as acusações.
No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou sua soltura. Moraes avaliou que a prisão preventiva poderia ser substituída por medidas cautelares, como o cancelamento do passaporte, a proibição de deixar o País e de se comunicar com outros investigados “por qualquer meio”.
Trajetória política
Gilson Machado se aproximou de Bolsonaro em 2018. Foi secretário no Ministério do Meio Ambiente e, em maio de 2019, assumiu a presidência da Embratur. Em dezembro de 2020, foi nomeado ministro do Turismo.
Além da atuação política, ganhou notoriedade ao tocar sanfona em transmissões ao vivo feitas por Bolsonaro durante a pandemia de covid-19. Músico, já gravou com artistas como Zé Ramalho e integra a banda Brucelose.

