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JUSTIÇA

CNJ identifica uso indevido de sistema e tentativa de mandado contra Lula e Moraes

Órgão afirma que não houve invasão hacker e que dados foram corrigidos após roubo de credenciais

23 janeiro 2026 - 17h30João Pedro Bitencourt
CNJ identificou uso indevido de credenciais em sistema que registrou tentativa de mandados irregulares.
CNJ identificou uso indevido de credenciais em sistema que registrou tentativa de mandados irregulares. - (Foto: Rômulo Serpa/Ag.CNJ)

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou nesta quinta-feira (22) a identificação de alterações indevidas no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, incluindo o registro de uma tentativa de expedição de mandado de prisão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

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Segundo o CNJ, o episódio não envolveu invasão hacker aos sistemas da instituição, mas sim o uso indevido de credenciais de acesso pertencentes a usuários de tribunais. De acordo com o órgão, as informações foram manipuladas após o roubo dessas credenciais, utilizadas de forma irregular no sistema interno.

Em nota, o CNJ esclareceu que não houve comprometimento da integridade dos sistemas e que a tentativa não resultou na emissão efetiva de mandados de prisão contra as autoridades citadas. “A alteração não resultou na expedição de mandados contra as autoridades mencionadas. O incidente foi identificado, tratado e os dados foram devidamente corrigidos”, informou o órgão.

O caso reacende alertas sobre a segurança dos sistemas judiciais e ocorre em meio a um histórico recente de episódios semelhantes envolvendo o nome do ministro Alexandre de Moraes.

Precedente envolvendo Moraes - Alexandre de Moraes já havia sido alvo de uma fraude no sistema do CNJ em 2023, quando o hacker Walter Delgatti Neto inseriu um mandado de prisão falso contra o próprio ministro. O documento apócrifo chegou a ser assinado digitalmente em nome de Moraes e continha frases irônicas, como “Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o ‘L’”.

Na ocasião, Delgatti agiu a mando da então deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). Ambos foram posteriormente condenados pelo Supremo Tribunal Federal pelo episódio.

Diferentemente daquele caso, o CNJ ressaltou que o registro identificado agora não decorre de ataque direto aos sistemas da instituição, mas de falhas associadas à proteção das credenciais de usuários autorizados.

A reportagem procurou o gabinete do ministro Alexandre de Moraes e a Presidência da República para comentar o episódio, mas não houve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações.

Situação de Delgatti e Zambelli - Neste mês, Alexandre de Moraes autorizou a progressão de regime de Walter Delgatti Neto do fechado para o semiaberto. O hacker cumpre pena de oito anos e três meses de prisão pela invasão aos sistemas do CNJ no caso de 2023.

Já Carla Zambelli encontra-se presa na Itália e aguarda decisão da Justiça local sobre sua extradição para o Brasil. O julgamento do pedido foi adiado pela quarta vez, em decisão tomada na última terça-feira (20).

O CNJ informou que segue monitorando o uso de seus sistemas e que medidas de segurança adicionais estão sendo adotadas para evitar novos episódios de uso indevido.

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