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12 de fevereiro de 2026 - 16h56
ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro defende reformas e privatizações, mas evita falar sobre teto de gastos

Senador propõe Estado mais enxuto, cortes de impostos e manutenção do Bolsa Família com 'porta de saída'

12 fevereiro 2026 - 15h25Naomi Matsui
Flávio Bolsonaro defendeu reformas, privatizações e cortes de gastos, mas evitou detalhar proposta sobre o teto de gastos.
Flávio Bolsonaro defendeu reformas, privatizações e cortes de gastos, mas evitou detalhar proposta sobre o teto de gastos. - (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu nesta quinta-feira (12) a realização de reformas estruturais, a redução do tamanho do Estado e a ampliação das privatizações. Em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, ele evitou detalhar propostas específicas e não respondeu se pretende retomar o teto de gastos, caso seja eleito.

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“Tem que fazer muitas reformas. Tem a reforma administrativa, tem a reforma eleitoral. A gente tem que revisitar a reforma tributária que foi feita”, afirmou.

Sem apresentar um plano fechado, o senador disse que pretende trabalhar por um Estado mais enxuto, com menos burocracia, e por um ambiente favorável ao empreendedorismo. Segundo ele, o governo deve ajudar “quem quer trabalhar” e estimular “uma mentalidade de poder empreender”.

Questionado sobre a possibilidade de defender a volta do teto de gastos, mecanismo que limitava o crescimento das despesas públicas, Flávio não confirmou se adotará essa proposta.

“Não quero entrar em detalhes do que vou propor. Tem tanta gente que está estudando comigo e que vamos começar a tomar decisões juntos. Mas queremos trazer previsibilidade, trazer despesas para dentro do Orçamento”, declarou.

A fala indica a intenção de reforçar o controle fiscal, mas sem antecipar medidas concretas.

O senador voltou a se posicionar a favor das privatizações, embora tenha afirmado que ainda avaliará caso a caso quais empresas poderiam ser desestatizadas.

“Sou muito favorável a privatizações. Uma gestão privada sempre tende a ser uma gestão focada no resultado, na qualidade do serviço prestado, mas também a gente não pode falar: vamos privatizar tudo. Tem que ver caso a caso”, disse.

Ao criticar a gestão do PT nas estatais, mencionou os Correios, sem confirmar eventual privatização da empresa. “Os caras conseguiram quebrar uma empresa que tem um monopólio, que não tem concorrente”, afirmou.

Flávio citou como exemplos positivos os marcos legais do saneamento básico e das startups, além de medidas adotadas no governo de Jair Bolsonaro, como a revogação de normas consideradas burocráticas e a redução de cargos comissionados.

“A mentalidade tem que ser o contrário, você tem que garantir o princípio da presunção para as empresas. A gente quer uma pessoa que faz a coisa certa, só quer andar legalzinho, quer andar livre, quer pagar os seus impostos lá, sem burocracia”, declarou.

O senador reafirmou que pretende promover cortes de gastos e de impostos, mas evitou detalhar quais tributos ou despesas seriam reduzidos.

“Não dá para falar isso aqui agora, porque é um emaranhado de impostos, é um castelo de cartas. Se você quiser tirar um imposto, você tira uma carta, vai desabar do outro lado”, afirmou.

Ele também criticou o número de ministérios do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente com 38 pastas.

“São 38 ministérios. Fico imaginando uma reunião do presidente da República com todos os seus ministros. Você não consegue cobrar resultado, você não consegue cobrar meta, você não consegue discutir projetos bons para a população”, disse.

Apesar do discurso de enxugamento do Estado, Flávio garantiu que manterá programas assistenciais, como o Bolsa Família.

“A gente vai manter. Vamos abraçar as pessoas que precisam, porque tem muita gente que precisa dessa ajuda do governo para ter o que comer”, afirmou.

Ele defendeu, no entanto, a criação de uma “porta de saída” para os beneficiários, permitindo que continuem recebendo o auxílio por um ou dois anos após conseguirem emprego.

O senador citou a existência de mais de 800 mil vagas ociosas em áreas como inteligência artificial e tecnologia da informação e atribuiu o problema à falta de qualificação profissional.

“O Brasil tem mais de 800 mil vagas ociosas para quem quer trabalhar, por exemplo, com inteligência artificial, tecnologia de informação. Por quê? Porque não têm qualificação. As pessoas não sabem trabalhar com isso. Por que, em vez de você ficar vendendo, se aproveitando da miséria das pessoas, você não usa para qualificar essas pessoas?”, questionou.

Sem detalhar propostas, Flávio Bolsonaro começa a delinear os eixos centrais de sua pré-campanha, com foco em reformas, redução do tamanho do Estado e estímulo ao setor privado, enquanto tenta equilibrar o discurso liberal com a manutenção de programas sociais.

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