
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, fez críticas diretas à política monetária do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (12) e afirmou que a atual taxa de juros “inviabiliza” a economia brasileira. Em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, ele atribuiu o cenário à condução fiscal do governo federal e defendeu mudanças caso seja eleito.
“Temos uma taxa de juros das mais altas do mundo, proporcionalmente, e isso reflete na dificuldade de tomar financiamento. Quem quer empreender no Brasil, primeiro, tem que fazer as contas, porque o Estado é sócio-majoritário do seu negócio. Segundo, a carga tributária é absurda, a burocracia é absurda. E com a taxa de juros nesse patamar, por causa da gastança do atual governo, a irresponsabilidade fiscal dele inviabiliza”, declarou.
A fala reforça o tom adotado por Flávio na pré-campanha, centrado em críticas à condução econômica do governo Lula e na defesa de uma agenda liberal semelhante à implementada na gestão de Jair Bolsonaro.
Equipe econômica em construção - Durante a entrevista, o senador afirmou que está conversando com diversos nomes para compor uma eventual equipe econômica, mas evitou citar possíveis integrantes.
“Estou conversando com várias pessoas da economia, grande parte das pessoas, as que vieram participar do nosso governo, e eu ainda montando o que é que eu vou oferecer de projeto de Brasil”, disse.
Segundo ele, alguns interlocutores preferem manter discrição neste momento. “Muitos não querem aparecer porque vão tomar pancada da imprensa”, afirmou.
Flávio também declarou que ainda está “aprendendo economia” e defendeu a formação de uma equipe técnica que não use o governo para interesses pessoais. “A gente pode montar um time de craques, como fez o presidente Bolsonaro, especialistas em cada área, que não precisam do governo, que não vão usar o governo para se enriquecer”, afirmou.
Apesar das referências à gestão anterior, o senador disse que não convidou ninguém para ocupar o papel de “Posto Ipiranga”, apelido dado a Paulo Guedes, ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro. Ainda assim, deixou claro que pretende seguir a mesma linha de política econômica.
“Quem estiver com a gente nessa parte econômica vai ter que ter essa mentalidade de dar continuidade ao projeto que o Paulo Guedes iniciou”, declarou, acrescentando que mantém contato com o ex-ministro.
Flávio também direcionou críticas ao atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). “Haddad, hoje, é o melhor ministro da economia do Paraguai. Conseguiu levar mais de 200 indústrias para o Paraguai. A economia do Brasil está toda desorganizada, tudo maquiado, energia cara, custo do Brasil caríssimo, instabilidade política e insegurança jurídica por causa desse atual governo”, afirmou.
A declaração faz parte de um discurso que associa juros elevados e ambiente de negócios desfavorável à política fiscal do governo federal. Para o senador, o conjunto de fatores compromete a competitividade do país.
Publicidade como estratégia de governo - Além da pauta econômica, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende ampliar investimentos em publicidade institucional caso chegue ao Palácio do Planalto. Segundo ele, essa seria uma diferença em relação ao governo do pai.
“Sou da linha que a gente tem que investir em publicidade, porque as pessoas precisam saber o que o governo está fazendo. Eu falava isso com meu pai”, declarou.
Ele relatou que, no início do governo Bolsonaro, havia resistência interna à ampliação de gastos com comunicação. “Tinha um cara aqui, um general, logo no começo do governo, estava lá na Secretaria de Comunicação, que falava o seguinte: ‘A gente não precisa investir em publicidade, porque a gente foi eleito com um movimento espontâneo de rede social e vai acontecer igual agora no governo’... Eu falava assim: ‘Pai, até a Coca-Cola, a marca mais consolidada no mundo investe pesado em publicidade’”, contou.
De acordo com o senador, o reforço na publicidade também teria a função de rebater informações falsas sobre sua eventual gestão.
As declarações de Flávio consolidam o posicionamento que ele vem adotando como pré-candidato: defesa de continuidade da agenda econômica liberal do governo Bolsonaro, críticas ao aumento de gastos públicos e promessa de reforçar a comunicação institucional.
Ao combinar discurso econômico com estratégia de comunicação, o senador busca dialogar tanto com o eleitorado que defende reformas estruturais quanto com a base bolsonarista, que mantém forte presença nas redes sociais.
A entrevista marca mais um movimento de Flávio Bolsonaro na tentativa de se apresentar como alternativa ao atual governo, enquanto articula apoios e estrutura um programa para a disputa presidencial.
