
O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói no carnaval do Rio virou combustível político nesta quarta-feira (18). O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e outros nomes da oposição celebraram a queda da escola para a Série Ouro, após o desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A agremiação entrou na mira de parlamentares de direita depois de levar à Sapucaí um enredo dedicado a Lula e uma ala que ironizou a expressão “família em conserva”, com integrantes caracterizados como latas estampadas com o selo “família”.
Nas redes sociais, Flávio associou o resultado da apuração ao cenário político. “Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba-enredo”, escreveu. Em outra publicação, afirmou que “quem ataca família não merece aplauso” e disse que, depois da escola, “o próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT”.
Reações em cadeia
Outros aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro também usaram o episódio para fazer críticas ao governo. Pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) disse que a escola “desagradou a maioria” e saiu do desfile com “derrota humilhante”.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que o resultado mostra que Lula está “afundando o Brasil”. Já o deputado Zé Trovão (PL-SC) escreveu que, assim como a escola, Lula também será “rebaixado” nas eleições.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) acusou a agremiação de propaganda eleitoral antecipada e afirmou que 2026 será “ano de resgatar o Brasil”. Senadores como Sérgio Moro (União-PR) e Rogério Marinho (PL-RN) classificaram o episódio como “presságio” e “resposta simbólica” ao uso do carnaval como palco político. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também ironizou o resultado.
Questionamentos na Justiça
As críticas ao desfile começaram ainda na segunda-feira (16). O Partido Novo anunciou que pretende acionar novamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a inelegibilidade de Lula, alegando propaganda antecipada.
Flávio Bolsonaro também afirmou que pretende ingressar com ação no TSE contra o presidente. Parlamentares das frentes evangélica e católica do Congresso disseram que a apresentação desrespeitou a fé cristã e anunciaram que irão recorrer ao Judiciário.
A OAB do Rio de Janeiro divulgou nota afirmando que a escola praticou “preconceito religioso dirigido aos cristãos”.
Do outro lado, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, minimizou as críticas e classificou como “ridícula” a tentativa de transformar a homenagem em desgaste político.
