
A cidade de Inocência vive um momento considerado histórico. Nesta sexta-feira (06), foi lançado oficialmente o ramal ferroviário que vai ligar a fábrica de celulose da Arauco à malha ferroviária nacional.
A ferrovia terá 54 quilômetros de extensão e deve entrar em operação em 2027. O investimento é privado e chega a quase R$ 2 bilhões. O objetivo principal é melhorar a logística da região e dar vazão à produção da nova fábrica de celulose instalada no município.
Com o novo ramal, a celulose produzida em Inocência seguirá diretamente de trem até o Porto de Santos, em São Paulo. Hoje, esse transporte depende, em grande parte, de caminhões. A estimativa é de que a ferrovia substitua até 190 viagens de caminhões por dia.
A redução do tráfego pesado deve diminuir acidentes, congestionamentos e o desgaste das rodovias que cortam o Vale da Celulose. Também deve trazer mais previsibilidade ao transporte da produção.
Autoridades e representantes da Arauco durante o lançamento oficial do ramal ferroviário que ligará a fábrica de celulose de Inocência à malha ferroviária nacional.A obra é a primeira short line ferroviária autorizada no Brasil dentro do Novo Marco Regulatório das Ferrovias, criado em 2021. Esse modelo permite que empresas construam ferrovias privadas voltadas a projetos específicos, como é o caso da Arauco.
Durante o evento de lançamento, autoridades acompanharam a chegada do governador Eduardo Riedel ao aeródromo de Inocência. Em entrevista, ele destacou o impacto do projeto para o município e para o Estado.
“O que nós estamos vivendo aqui é uma página da história, não só de Inocência, mas de Mato Grosso do Sul. É um volume muito grande de investimentos, que significa emprego, renda e oportunidades para toda a região”, afirmou.
Riedel explicou que a ferrovia faz parte de um pacote maior de obras. Segundo ele, o governo estadual investe cerca de R$ 1,1 bilhão em rodovias no entorno do projeto, como a MS-316, MS-320, MS-377 e MS-040, além de futuras concessões.
“Esses investimentos não param mais. São obras que vão se concretizar nos próximos anos”, disse.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o ramal resolve um problema antigo da região.
“A ferrovia não é o problema. A ferrovia é a solução. Ela tira caminhões das estradas, reduz conflitos e aumenta a segurança das pessoas”, declarou.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, discursa durante o evento de lançamento da ferrovia em Inocência, projeto com investimento privado de quase R$ 2 bilhões.Renan também destacou o crescimento dos investimentos federais em Mato Grosso do Sul. Em 2022, o Estado recebeu R$ 250 milhões. Em 2024, esse valor chegou a R$ 750 milhões. Para 2025, a previsão é de R$ 850 milhões. Além disso, concessões rodoviárias no Estado somam cerca de R$ 20 bilhões em investimentos privados.
Para o diretor-presidente da Arauco, Carlos Altimiras, a ferrovia é essencial para o projeto industrial.
“A ferrovia não é um complemento. Ela é um dos pilares do projeto”, afirmou. Segundo ele, o ramal conecta a produção florestal, a fábrica e os portos, garantindo eficiência e escala.
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, durante cerimônia que marcou o lançamento do ramal ferroviário da Arauco em Mato Grosso do SulDurante o evento, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, também falou.
“Quem sonhou e deu as mãos não olhou para ideologia nem para partido. É esse o Brasil que olha para frente”, disse.
Além da ferrovia, o projeto inclui a chegada do gás natural à fábrica, com investimento de R$ 170 milhões da MSGás. A unidade também terá geração própria de energia por biomassa, reforçando o uso de fontes renováveis.
Com a nova ferrovia, a expectativa é de que Inocência e toda a região da Costa Leste de Mato Grosso do Sul passem por uma forte transformação econômica, com mais empregos, renda e novos investimentos ligados à cadeia da celulose.

