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8 DE JANEIRO

Três anos após 8 de janeiro, só 179 dos 1.399 condenados seguem presos

Relatório do STF aponta maioria em liberdade e penas proporcionais à gravidade dos crimes

8 janeiro 2026 - 10h50Redação
Três anos após os atos golpistas, STF divulga balanço sobre condenações e prisões relacionadas ao 8 de janeiro
Três anos após os atos golpistas, STF divulga balanço sobre condenações e prisões relacionadas ao 8 de janeiro - (Foto: Marcelo Camargo/EBC)

Três anos depois dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o balanço mais recente do Supremo Tribunal Federal (STF) mostra que a maioria dos condenados não está presa. De acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira (8) pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, 179 pessoas seguem privadas de liberdade entre as 1.399 já condenadas pelos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

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Do total de presos, 114 cumprem pena em regime fechado após o trânsito em julgado das condenações. Outras 15 pessoas estão em prisão preventiva, como o ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins, que já foi condenado, mas ainda pode recorrer. Há ainda 37 condenados em prisão domiciliar, entre eles o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno, autorizado a cumprir a pena em casa por motivos de saúde.

O levantamento foi divulgado justamente na data que marca os três anos da invasão e depredação do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do STF, episódio que se tornou símbolo da tentativa de ruptura democrática no país.

Entre os condenados, 29 integram os núcleos centrais da organização criminosa que, segundo o STF, atuou para tentar um golpe de Estado entre 2022 e 2023. Jair Bolsonaro foi condenado como líder desse grupo, que buscava mantê-lo no poder após a derrota eleitoral.

O relatório aponta que 391 pessoas receberam condenações por crimes considerados mais graves, como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Outras 415 foram responsabilizadas por crimes de menor gravidade, como incitação ao crime e associação criminosa.

Além disso, 564 investigados confessaram participação e firmaram acordos de não persecução penal com o Ministério Público. Nesses casos, os réus se comprometeram a cumprir medidas alternativas à prisão, como prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa de R$ 5 mil.

Perfil das penas - Os dados do STF mostram que 29,7% dos condenados cumprem penas de até um ano de prisão. Já 19,7% receberam penas entre oito e 16 anos, enquanto 9,5% foram condenados a penas que variam de 16 a 28 anos.

As punições mais altas foram aplicadas aos integrantes do núcleo considerado crucial da trama golpista, como Jair Bolsonaro, o ex-ministro Walter Braga Netto e o ex-deputado Alexandre Ramagem, condenados em setembro do ano passado.

Em manifestação nas redes sociais, o ministro Flávio Dino destacou a proporcionalidade das decisões. Segundo ele, o número reduzido de presos em relação ao total de condenados reflete a individualização das penas conforme a gravidade das condutas, em conformidade com a Constituição e as leis aprovadas pelo Congresso Nacional.

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