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02 de janeiro de 2026 - 11h12
ELEIÇÕES 2026

Disputa por Senado em MS vira foco das próximas eleições

Excesso de nomes fortes no mesmo campo político acirra corrida por duas vagas e pressiona partidos por definição de candidaturas em Mato Grosso do Sul

2 janeiro 2026 - 09h35Redação
Principais nomes cotados para o Senado em 2026 em Mato Grosso do Sul: Jaime, Gianni, Gerson, Contar, Tebet, Soraya, Nelsinho e Azambuja
Principais nomes cotados para o Senado em 2026 em Mato Grosso do Sul: Jaime, Gianni, Gerson, Contar, Tebet, Soraya, Nelsinho e Azambuja - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Mato Grosso do Sul caminha para uma eleição em que o principal campo de batalha tende a ser o Senado. Em 4 de outubro, duas vagas estarão em disputa e já há um congestionamento de nomes de peso interessados em chegar à Câmara Alta, numa movimentação que, por enquanto, chama mais atenção até do que a sucessão estadual.

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Na linha de frente dessa corrida aparecem o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), o senador Nelsinho Trad (PSD), a senadora Soraya Thronicke (Podemos) e a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB). Logo atrás, mas também colocados como potenciais candidatos, estão o ex-deputado estadual Renan Contar, o Capitão Contar (PL); o deputado federal Vander Loubet (PT); o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro (PP); a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL); e o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck (PSD).

A lista é extensa para apenas duas cadeiras. Nos bastidores, há a avaliação de que nem todos esses nomes chegarão às urnas, mas o simples fato de estarem colocados como pré-candidatos já cria um cenário de forte pressão sobre as direções partidárias, que terão de fazer escolhas difíceis. O excesso de quadros conhecidos e com trajetória consolidada amplia disputas internas, alimenta resistências e obriga cada sigla a definir qual projeto irá priorizar.

Um elemento que torna a disputa ainda mais complexa é o fato de boa parte desses pré-candidatos estar concentrada em um mesmo campo político. Muitos deles têm origem ou ligação com o grupo que atualmente governa Mato Grosso do Sul. É o caso, por exemplo, de Simone Tebet, que hoje está no MDB e tem relação direta com o governo federal do PT, mas vem do mesmo grupo que comanda o Estado. Na prática, isso significa que vários postulantes disputarão o mesmo eleitorado, com discursos e bases de apoio que se sobrepõem.

Essa convergência de origem política tende a acirrar a disputa interna e regional. Em vez de uma eleição marcada por grandes confrontos entre campos ideológicos distintos, Mato Grosso do Sul pode assistir a uma guerra travada dentro de um mesmo espectro político, com diferenças localizadas em projetos pessoais, alianças e estratégias de cada partido.

Outro ponto em comum é a expectativa em relação ao posicionamento do governador Eduardo Riedel (PP). Alguns dos pré-candidatos aguardam a “benção” do chefe do Executivo estadual, que hoje é um dos principais fiadores políticos do grupo no poder. O apoio explícito ou discreto do governador pode ser decisivo para consolidar nomes, atrair partidos e organizar palanques, já que ele dialoga com várias dessas lideranças.

Dentro desse tabuleiro, o PL aparece com potencial para formar uma chapa robusta, especialmente entre eleitores de direita ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A legenda abriga o ex-governador Reinaldo Azambuja, que preside o partido no Estado, e o ex-deputado estadual Capitão Contar, que se filiou ao PL em novembro. Nos bastidores, uma eventual dobradinha entre os dois para o Senado é vista como uma das possibilidades mais fortes no campo bolsonarista de Mato Grosso do Sul.

A presença de Contar no PL e sua colocação como pré-candidato ao Senado ao lado de Azambuja mexem com o desenho da disputa. Essa combinação ajuda a encerrar especulações sobre quem poderia ocupar a segunda vaga na chapa encabeçada pelo ex-governador e reposiciona outros nomes que, até então, buscavam se aproximar desse espaço. Para além do cálculo eleitoral, trata-se também de uma mensagem ao eleitorado de direita, que passa a enxergar no PL um palanque mais definido.

Enquanto isso, PSD, MDB, PT e PP avaliam como se posicionar diante de um cenário em que uma parte considerável dos seus quadros conversa com o mesmo grupo de poder estadual. A tendência é que, até a definição oficial das candidaturas, as siglas tentem acomodar interesses internos, negociem espaços em chapas majoritárias e usem o peso político de suas figuras mais conhecidas como moeda de troca em alianças locais e nacionais.

No pano de fundo da disputa em Mato Grosso do Sul está o movimento da direita no cenário nacional. O objetivo é ampliar ou conquistar maioria no Senado, casa que detém poderes exclusivos, como indicar ou vetar nomes para cargos do alto escalão, julgar e punir autoridades e votar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. A importância dessas atribuições ajuda a explicar por que a corrida pelas duas vagas sul-mato-grossenses se tornou tão estratégica.

Assim, a eleição para o Senado em 2026 em MS se desenha como uma “guerra” de alto nível, com ex-governador, ministra, senadores, deputados e lideranças regionais disputando espaço dentro de um mesmo campo político, à espera de apoios decisivos e da capacidade de cada um de se diferenciar junto ao mesmo eleitorado.

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