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Política

Discurso de Mandetta sobre médica cubana incomoda Planalto

7 fevereiro 2014 - 15h48
Encerrou recitando o poema Navio Negreiro
Encerrou recitando o poema Navio Negreiro - Divulgação
Cassems
O deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS) denunciou as condições contratuais a que estão submetidos os médicos cubanos que atuam no programa “Mais Médicos”, incomodando a base petista na Câmara dos Deputados. Ele relatou as condições em que a médica cubana Ramona Rodriguez, de 51 anos, deixou a cidade de Pacajá (PA), abandonando o programa “Mais Médicos”.
 
Mandetta estava fazendo uma analogia sobre o simbolismo das mãos fechadas e erguidas, tão utilizadas ultimamente, “em uma semana de tantos símbolos quando, o que nos remete à memória, são dois boxeadores cubanos sendo capturados e deportados em um passado recente, o símbolo do soco da mão fechada que tem sido direcionado para o alto pode ser substituído pelo ato desta médica, que direcionou um soco invisível na cara da Nação, denunciando a exploração em pleno século XXI e a quebra do Pacto de Genebra, onde nosso País afirmou que, enquanto Nação, não se associaria a outra Nação para explorar pessoas”.
 
Nesse momento, um deputado petista gritou “chega!”, batendo o pulso e mostrando o relógio para o presidente da mesa. Mandetta reagiu imediatamente, elevando o tom o seu pronunciamento. “Chega não, deputado”, chega é de mentira, chega de trapaça, de perda de valores, não queira calar minha voz”. Mandetta disse estar enojado com atitudes políticas pequenas e mesquinhas e sugeriu que o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, candidato ao governo de São Paulo e a própria presidente Dilma peçam desculpas à Nação. “Está na hora desta Casa começar, sem ranço, a consertar e pouco vergonha deste vínculo trabalhista precário, deste vínculo que nos remete aos porões mais escuros da escravidão”, disse Mandetta. Ele encerrou o pronunciamento recitando o poema Navio Negreiro, de Castro Alves.   
 
A deserção da médica cubana é um tema explosivo para o governo em pleno ano eleitoral, uma vez que a atitude da Dra. Ramona pode ser seguida por outros médicos, o que poderia ser considerado o “pior dos mundos” para o governo, por se tratar de um programa carro chefe de Dilma e do candidato ao governo de São Paulo, ex-ministro Alexandre Padilha. Matéria do site O Estado de São Paulo, publicado na quarta-feira à noite, confirmou que a presidente Dilma quer que o assunto fique longe do Palácio do Planalto e que seja resolvido pelos ministérios da Justiça, Relações Exteriores e de Saúde.      
 
Profissionais de Cuba são vigiados
 
O deputado Mandetta criticou a situação da médica cubana. De acordo com o deputado, “ela não é nenhuma aventureira” e já participou de inúmeras missões humanitárias na Bolívia, por 21 meses consecutivos. Ramona disse ter recebido informações em Cuba de que participaria, no Brasil, de outra missão humanitária, mas se deparou aqui com uma realidade diferente.
 
Mandetta descreveu a situação na qual a médica trabalhava em Pacajá com mais duas colegas. Segundo o deputado, um supervisor de atividades tem que ser comunicado sobre qualquer ato que ocorra na cidade, com vigilância sobre os cubanos do programa. “Ela me disse, abalada e comovida, que pela primeira vez via outros trabalhadores do Mais Médicos, estrangeiros, da Argentina e da Venezuela, que percebiam na sua conta aquilo que estava publicado diretamente”. Ela se sentiu, segundo as suas palavras, “uma mercadoria que foi vendida, comercializada, disponibilizada como uma commodity, como um grão de soja, como uma barra de ferro.”   
 
O Ministério Público do Trabalho, através do procurador Sebastião Caixeta, manifestou que deve ser concluído, ainda neste mês, um inquérito sobre a situação dos cubanos que trabalham no programa.  O Ministério quer que os salários dos cubanos sejam pagos pelo Brasil diretamente aos profissionais, e que seja interrompida a prática de repassar parte do dinheiro ao governo de Cuba.
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