
Políticos de direita compartilharam no último fim de semana, nos dias 3 e 4, um vídeo nas redes sociais que atribui a supostos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ameaças de invadir os Estados Unidos para libertar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, preso em território americano. O MST nega a autoria e afirma que o material é falso, produzido com uso de inteligência artificial.
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) publicou um vídeo reagindo ao conteúdo e pediu que seguidores compartilhassem a gravação. Na publicação, o parlamentar afirmou que faria uma “vaquinha” para custear uma eventual ida de integrantes do movimento aos Estados Unidos.
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), também divulgou o vídeo e escreveu que o MST desafia o presidente norte-americano Donald Trump e “promete guerra”. Já o deputado estadual da Bahia Leandro de Jesus (PL) ironizou o conteúdo ao questionar quem toparia colaborar financeiramente com o que chamou de “luta” do movimento.
Outros parlamentares aderiram ao tom irônico. O vereador de São Paulo Rubinho Nunes afirmou que, quando se trata do MST, “nunca se sabe se é real ou IA”. Em Porto Alegre, a vereadora Mariana Lescano (Progressistas-RS) também comentou de forma sarcástica, sugerindo que a situação seria um problema para Trump.
Procurados, os parlamentares citados não se manifestaram até o fechamento deste texto. O espaço permanece aberto para posicionamentos.
Em nota, o MST repudiou a circulação do vídeo e classificou o conteúdo como desinformação. Segundo o movimento, o material utiliza indevidamente sua imagem por meio de recursos de inteligência artificial para distorcer posições e objetivos políticos.
“Mais grave ainda é que esse tipo de conteúdo esteja circulando por meio de autoridades de um Estado Democrático de Direito, que deveriam combater a desinformação”, afirmou o MST.

