
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) se somou a lideranças do Partido dos Trabalhadores ao defender publicamente a candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao governo de São Paulo nas eleições deste ano. A declaração foi feita durante o evento que celebrou os 46 anos do PT, realizado em Salvador (BA). Dirceu também citou a possibilidade de Haddad disputar uma vaga no Senado como alternativa dentro do cenário paulista.
No mesmo discurso, o ex-ministro sinalizou apoio à manutenção do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacando que a permanência do ex-governador paulista é parte central da estratégia eleitoral do partido no Estado.
Segundo Dirceu, a candidatura de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes é defendida por ele “há muito tempo” e está diretamente ligada à aliança firmada entre Lula e Alckmin. Para o ex-ministro, essa composição representou um compromisso político assumido com o eleitorado. “Foi uma espécie de contrato que nós assinamos com a sociedade, de que essa aliança criaria as condições para vencermos a eleição”, afirmou.
Pressão interna cresce sobre Haddad
Nos bastidores do governo e do partido, a pressão para que Fernando Haddad aceite disputar o governo paulista tem se intensificado. O presidente Lula tem insistido para que o ministro da Fazenda seja o candidato do PT em São Paulo em 2026, enfrentando o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Haddad, no entanto, tem resistido à ideia. O ministro já manifestou publicamente o desejo de permanecer no comando da área econômica e de atuar na coordenação da campanha à reeleição de Lula. Apesar disso, nos últimos dias, passou a sinalizar que pode ceder diante das articulações internas.
A ofensiva para convencer Haddad não se limita ao presidente. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou recentemente que o partido precisa do ministro na disputa estadual. “Precisamos que Haddad seja candidato. Temos de escalar os melhores quadros e precisamos que todos entrem em campo”, disse em conversa com jornalistas na semana passada.
Simone Tebet entra no debate eleitoral
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), também reforçou a pressão sobre Haddad. Segundo ela, o cenário eleitoral em São Paulo fica incompleto sem a presença do atual ministro da Fazenda. “O quadro não fecha sem ele. E ele precisa ter essa consciência, e acho que tem”, declarou.
Cotada para disputar o governo paulista, Tebet afirmou que já se colocou à disposição do presidente Lula para concorrer a uma vaga no Senado, seja por São Paulo ou por Mato Grosso do Sul, Estado que já representou anteriormente.
Na terça-feira, 3, Haddad confirmou que tem discutido o cenário eleitoral com o presidente. Em entrevista à rádio BandNews FM, o ministro admitiu a divergência de posições. “Vamos ver quem convence quem”, afirmou, ao reiterar que, neste momento, sua preferência é atuar diretamente na campanha presidencial.
As declarações reforçam que o desenho eleitoral do PT em São Paulo segue em aberto, com pressões internas, alternativas em avaliação e a tentativa de alinhar o projeto nacional à disputa no maior colégio eleitoral do país.

