
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, declarou nesta segunda-feira (12) que seu governo não está em negociações com os Estados Unidos, um dia após o presidente norte-americano Donald Trump sugerir um “acordo” com a ilha caribenha em meio às tensões geradas pela recente intervenção dos EUA na Venezuela. As declarações de Díaz-Canel foram feitas em uma série de postagens nas redes sociais, em resposta aos comentários de Trump sobre Cuba.
Díaz-Canel desmentiu que existam conversas diplomáticas em curso com Washington, afirmando que as únicas interações entre os dois países estão restritas a contatos técnicos sobre migração. Ele ressaltou que qualquer avanço nas relações bilaterais só será possível se for baseado no direito internacional, e não em hostilidade, ameaças ou coerção econômica.
O presidente cubano destacou que Havana está permanentemente aberta a um diálogo “sério e responsável” com governos dos Estados Unidos, inclusive o atual, desde que seja pautado pela igualdade soberana, respeito mútuo, princípios legais e sem interferência nos assuntos internos de Cuba.
A declaração ocorre na esteira de uma série de provocações entre as duas nações. No domingo (11), Trump afirmou que nenhum petróleo ou dinheiro da Venezuela seria mais enviado a Cuba e sugeriu que a ilha deveria “fazer um acordo” com os EUA antes que fosse tarde demais, sem especificar o teor desse possível pacto.
As tensões foram intensificadas após a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela no início de janeiro de 2026, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e na morte de dezenas de pessoas, incluindo militares cubanos que apoiavam o governo venezuelano — fato reconhecido oficialmente pelas autoridades cubanas e que gerou forte repercussão política na ilha.
A relação entre Cuba e os Estados Unidos já era marcada por décadas de antagonismo histórico, sanções econômicas e bloqueios comerciais, e os acontecimentos recentes — incluindo a crise energética decorrente da redução de petróleo venezuelano para a ilha — aprofundaram ainda mais o clima de desconfiança entre as partes.
Analistas internacionais indicam que, apesar das tensões, Cuba mantém um interesse tático em aliviar os efeitos das sanções e das dificuldades econômicas, mas não há sinais de que Havana esteja pronta para iniciar negociações políticas amplas com Washington no curto prazo.
A posição firmada por Díaz-Canel, reforçada pelo chanceler Bruno Rodríguez, sublinha a estratégia contínua de Cuba de defender sua soberania e autonomia diante de pressões externas, reafirmando que o país não cederá a demandas que violem seus princípios de independência.

