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13 de fevereiro de 2026 - 23h52
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POLÍTICA

Delegados da PF pedem lei que permita questionar suspeição de ministros do STF

Entidades solicitam à Câmara inclusão de regra que autorize recursos contra decisões judiciais em inquéritos

13 fevereiro 2026 - 21h45João Pedro Bitencourt
Associações de delegados da PF pedem mudança na lei para permitir questionamento de suspeição de ministros do STF.
Associações de delegados da PF pedem mudança na lei para permitir questionamento de suspeição de ministros do STF. - (Foto: Gustavo Moreno/STF)

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) solicitou ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a inclusão na legislação de um dispositivo que permita aos delegados recorrer de decisões judiciais e arguir impedimento ou suspeição de autoridades, inclusive ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de inquéritos policiais.

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O pedido, encaminhado nesta sexta-feira (13) e também assinado pela Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol), ocorre em meio à repercussão das investigações relacionadas ao Banco Master.

As entidades defendem que a previsão legal seja incorporada ao chamado PL Antifacção ou apresentada por meio de projeto autônomo. Segundo o ofício, a medida daria maior segurança jurídica à atuação dos delegados, especialmente em situações que envolvam autoridades com prerrogativa de foro.

Caso Banco Master

A iniciativa surge após críticas de ministros do STF à atuação da Polícia Federal no caso que envolveu o ministro Dias Toffoli. Magistrados apontaram que a investigação teria avançado sem autorização prévia da Corte, o que poderia comprometer a validade do material colhido.

No relatório encaminhado ao Supremo, a PF mencionou possíveis indícios relacionados ao ministro, mas não formalizou pedido de suspeição. Ainda assim, o episódio gerou debate sobre os limites da atuação da autoridade policial.

As entidades argumentam que a legislação atual não prevê de forma expressa a possibilidade de o delegado recorrer de decisões judiciais ou suscitar suspeição, o que, na avaliação delas, pode gerar insegurança jurídica e entraves às investigações.

Proposta das entidades

No documento enviado à Câmara, as associações defendem que seja assegurado ao delegado o direito de:

• recorrer de indeferimentos parciais ou totais de pedidos feitos ao Judiciário no interesse da investigação;
• arguir impedimento ou suspeição de qualquer autoridade que atue no inquérito, quando houver elementos suficientes.

Para as entidades, a previsão legal garantiria instrumentos “desburocratizadores” e maior celeridade à investigação criminal.

Fundamentação

A Polícia Federal sustentou, no envio de informações ao presidente do STF, Edson Fachin, que agiu com base no artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, que determina o encaminhamento dos autos ao tribunal competente quando houver indícios de crime envolvendo magistrado.

O debate agora se desloca para o Congresso Nacional, onde caberá à Câmara decidir se acolhe ou não a proposta de alteração legislativa.

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