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02 de fevereiro de 2026 - 22h15
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POLÍTICA

Relator da CPMI do INSS pede quebra de sigilo de Lulinha e pessoas do entorno de Lula

Comissão entra em 2026 mirando vínculos financeiros no esquema de descontos ilegais em aposentadorias

2 fevereiro 2026 - 20h45Levy Teles
Alfredo Gaspar, relator da CPI do INSS.
Alfredo Gaspar, relator da CPI do INSS. - (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), protocolou nesta segunda-feira (2) requerimentos que ampliam o foco das investigações e atingem diretamente pessoas ligadas ao entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa marca a retomada dos trabalhos da comissão em 2026, com avanço sobre o núcleo político apontado pela investigação.

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Os pedidos solicitam a quebra dos sigilos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente; da advogada Roberta Luchsinger, apontada como amiga próxima de Lulinha; e da publicitária Danielle Fonteles, que atuou em campanhas eleitorais do PT até 2015.

Segundo Alfredo Gaspar, os três aparecem em movimentações financeiras relacionadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ele é citado pela Polícia Federal como um dos principais articuladores do esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas.

De acordo com o relator, a apuração busca esclarecer a origem, o destino e o fluxo de recursos ligados ao grupo investigado, além de identificar possíveis intermediários financeiros usados para repasse de valores.

Em um dos requerimentos, Gaspar afirma que a inclusão de Lulinha na investigação decorre de mensagens interceptadas pela Polícia Federal. Em uma delas, Antônio Camilo teria sido questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil destinado a uma empresa de Roberta Luchsinger.

“A necessidade de investigar Fabio Luis decorre diretamente de mensagens interceptadas em que Antônio Camilo, ao ser questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil destinado à empresa de Roberta Luchsinger, responde explicitamente tratar-se de ‘o filho do rapaz’”, argumenta o relator.

Segundo a Polícia Federal, a expressão seria uma referência direta a Lulinha, levantando a suspeita de que Roberta Luchsinger teria atuado como intermediária financeira para o repasse de vantagens indevidas.

Gaspar também cita que mensagens atribuídas à advogada orientariam o Careca do INSS a destruir provas, o que reforçaria a necessidade de aprofundar a análise das movimentações financeiras.

No caso da publicitária Danielle Fonteles, o relator afirma que ela ocupa um “papel estratégico e transnacional” dentro da estrutura investigada pela Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal.

Segundo Gaspar, a posição dela no grupo investigado levanta suspeitas sobre ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas com possível finalidade de lavagem de dinheiro. Os requerimentos apontam que a quebra de sigilo é essencial para esclarecer o grau de envolvimento de cada uma das pessoas citadas.

Lulinha já teve convocações rejeitadas anteriormente pela CPMI após articulações da base governista. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que ele tenha recebido valores oriundos dos negócios do Careca do INSS por meio da empresária Roberta Luchsinger.

Alfredo Gaspar afirmou que, em 2026, a CPMI do INSS entra em uma nova etapa das investigações, com foco ampliado sobre instituições financeiras, agentes públicos e todos os envolvidos nas irregularidades ligadas aos empréstimos consignados.

“Agora vamos continuar com os descontos associativos e acrescentar os empréstimos consignados. Esses primeiros depoimentos são de grande importância para que possamos entender como as instituições bancárias têm relação com essas irregularidades”, declarou o deputado.

A previsão é que a comissão ouça nesta quinta-feira (5) o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; Maurício Camisotti, preso na Operação Sem Desconto; e o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior.

No campo governista, parlamentares também apresentaram requerimentos mirando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O foco está em Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia desde abril de 2021.

Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, coproprietário da empresa Voga, ligada ao Careca do INSS. A Polícia Federal identifica Alexandre como sócio de uma offshore do esquema, a Camilo & Antunes Limited, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Segundo a investigação, a empresa teria sido usada para ocultar patrimônio obtido de forma irregular.

O deputado Rogério Correia (PT-MG), autor do requerimento, sustenta que há conexões familiares, profissionais e societárias que justificam a convocação de Flávio Bolsonaro e de Letícia para prestar esclarecimentos à CPMI.

“Diante do estreito entrelaçamento pessoal, familiar, profissional e político descrito, suscita-se a existência de possível conexão entre Flávio Bolsonaro e o núcleo liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes”, afirma o parlamentar.

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