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12 de fevereiro de 2026 - 15h03
CRISE NO STF

Congresso pressiona Toffoli após PF pedir suspeição em caso Banco Master

Parlamentares articulam CPI, convocação do ministro e quebra de sigilos após revelações da investigação

12 fevereiro 2026 - 13h20Levy Teles
Parlamentares articulam CPI e cobram quebra de sigilo após PF pedir suspeição de Toffoli no caso Banco Master
Parlamentares articulam CPI e cobram quebra de sigilo após PF pedir suspeição de Toffoli no caso Banco Master - (Foto: Andressa Anholete/STF)

A investigação sobre o Banco Master abriu uma nova frente de tensão entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Parlamentares reagiram após a Polícia Federal pedir a suspeição do ministro Dias Toffoli no inquérito que apura o caso. A corporação identificou conversas e menções ao ministro no celular apreendido do banqueiro Daniel Vorcaro.

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Diante do avanço das apurações, deputados e senadores passaram a defender medidas como convocação de Toffoli, quebra de sigilo das mensagens encontradas no aparelho de Vorcaro e até a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as operações do banco.

CPI do Crime Organizado deve votar requerimentos - Relator da CPI do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, foi um dos primeiros a se manifestar publicamente após a divulgação das informações.

"O Tofollão é um escândalo tão grande que não dá para esconder nas artimanhas do sistema. Na semana posterior ao carnaval, a CPI do Crime Organizado votará os requerimentos de quebra de sigilo e convocações dos envolvidos. O Brasil só será uma República com todos sob a mesma lei", afirmou.

Vieira já havia protocolado dois requerimentos para convocar os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, a prestarem depoimento. O senador cita reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que apontou que a residência de José Eugênio aparece como sede da empresa que vendeu parte de um resort no Paraná por R$ 3 milhões a um fundo ligado ao cunhado de Vorcaro.

Segundo a reportagem mencionada pelo parlamentar, no endereço indicado como sede da empresa, a esposa de José Eugênio afirmou que o marido nunca foi dono de resort. O requerimento também menciona “indícios que conectam transações imobiliárias e societárias a elementos sob investigação no âmbito da segurança pública e do sistema financeiro”.

Empresa ligada a Toffoli entra na investigação - Toffoli é acionista da Maridt, empresa que tem como dirigentes seus irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli. A empresa é classificada como sociedade anônima de livro, modelo em que os nomes dos acionistas não constam em registros públicos. As identidades ficam registradas apenas na documentação interna da companhia. A sede da Maridt está registrada no endereço residencial de José Eugênio.

Outra informação citada nas discussões no Congresso é que Toffoli recebeu valores de empresa que realizou negócios com fundo ligado ao cunhado de Vorcaro.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, 12, o ministro confirmou que é sócio da empresa e que recebeu dividendos, mas negou qualquer vínculo pessoal com o banqueiro. Segundo ele, não há “relação de amizade” com Vorcaro e afirmou que “jamais recebeu qualquer valor” pago pelo empresário.

Pressão também cresce na Câmara - Na Câmara dos Deputados, o deputado Rodrigo Rollemberg, do PSB do Distrito Federal, passou a articular medidas para ampliar a apuração. Ele defende que o Supremo libere integralmente o conteúdo das conversas encontradas no celular de Vorcaro.

"É fundamental que o Supremo determina o fim do sigilo sobre essa investigação, e possa revelar todos os diálogos que tem no telefone do Vorcaro. Acho até para evitar vazamentos seletivos, abertura total. A população brasileira tem o direito de saber o que foi conversado, se houve intervenção política. É colocar luzes sobre o tema", afirmou.

Rollemberg foi o primeiro parlamentar a protocolar pedido de instalação de CPI para investigar o caso. O requerimento foi apresentado no dia 2 de fevereiro, na retomada dos trabalhos legislativos.

O foco da proposta é apurar os R$ 12,2 bilhões pagos pelo Banco de Brasília ao Banco Master entre janeiro e junho de 2025. Desse total, R$ 6,7 bilhões teriam sido destinados a carteiras classificadas como falsas e outros R$ 5,5 bilhões pagos como prêmio. O deputado é opositor do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB, que é controlador do BRB.

"É preciso tornar óbvio que é necessário instalar a CPI. Qualquer ação no sentido de não instalar a CPI vai trazer uma mensagem muito ruim para o conjunto da população brasileira, de que a Câmara estaria abrindo mão da responsabilidade de investigar um escândalo", declarou.

O parlamentar informou ainda que pretende acionar o Supremo para determinar a instalação da comissão, a exemplo do que ocorreu com a CPI da Covid durante a pandemia.

Disputa por CPIs se intensifica no Congresso - O pedido de Rollemberg não é o único em tramitação. No dia seguinte ao protocolo do deputado, parlamentares da oposição apresentaram requerimento para criação de uma CPI Mista no Congresso Nacional, envolvendo Câmara e Senado.

A estratégia costuma ser utilizada para contornar a fila de CPIs já apresentadas, argumento frequentemente usado pelos presidentes das Casas para adiar a instalação de novas comissões. O presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, já afirmou que a CPI sobre o Banco Master deverá “entrar na fila” de requerimentos. No Senado, o presidente Davi Alcolumbre, do União do Amapá, também enfrenta pressão.

Paralelamente, o senador Eduardo Girão, do Novo do Ceará, e a deputada Heloísa Helena, da Rede do Rio de Janeiro, coletam assinaturas para protocolar seus próprios pedidos de criação de CPI para investigar o Banco Master.

Cenário de tensão institucional - O avanço da investigação da Polícia Federal e o pedido de suspeição de um ministro do Supremo ampliaram o desgaste institucional em Brasília. A movimentação no Congresso indica que o caso deve ganhar novos capítulos nas próximas semanas, com disputas sobre instalação de CPIs, quebra de sigilos e eventual convocação de envolvidos.

A depender das decisões do STF e da tramitação dos requerimentos no Legislativo, o caso Banco Master pode se transformar em mais um embate entre Poderes em um momento de forte polarização política no país.

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