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POLÍTICA EXTERNA

Comissão da Câmara quer convocar Mauro Vieira e Celso Amorim para explicar posição do Brasil sobre a

Deputado Filipe Barros cobra esclarecimentos do governo Lula após ofensiva dos EUA e prisão de Nicolás Maduro

6 janeiro 2026 - 13h55Victor Ohana e Pepita Ortega
Presidente da Comissão de Relações Exteriores, Filipe Barros quer explicações do Itamaraty sobre postura do Brasil diante da crise na Venezuela.
Presidente da Comissão de Relações Exteriores, Filipe Barros quer explicações do Itamaraty sobre postura do Brasil diante da crise na Venezuela. - Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, Filipe Barros (PL-PR), afirmou que pretende convocar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ex-chanceler Celso Amorim, atual assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para prestar esclarecimentos sobre a posição do governo brasileiro em relação à crise na Venezuela.

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Em entrevista ao Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o parlamentar disse que vai pautar as convocações na primeira semana de fevereiro, quando a Câmara retoma os trabalhos legislativos após o recesso. Segundo Barros, a iniciativa ocorre após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na deposição do líder venezuelano Nicolás Maduro.

De acordo com o deputado, houve tentativa de convocar uma reunião emergencial da comissão ainda durante o recesso parlamentar, mas o pedido foi barrado pelo regimento interno da Casa. “Tomei algumas iniciativas que nós vamos apreciar na primeira semana de fevereiro, na volta do recesso. A primeira delas é a convocação do Mauro Vieira e do Celso Amorim”, afirmou nesta terça-feira (6).

Barros reforçou que considera essencial a presença de ambos. “O Celso Amorim é, como todos nós sabemos, o chanceler de fato. Então, é importantíssima a presença do Mauro Vieira, que responde pelo Itamaraty, mas quem desenha a política e a estratégia internacional do Lula é o Celso Amorim”, declarou.

O parlamentar também citou o encontro entre os presidentes do Brasil e da Venezuela, ocorrido em Brasília, em maio de 2023. Na ocasião, Lula afirmou que Maduro não era “um homem mau”, declaração que, segundo Barros, reforça a necessidade de esclarecimentos formais ao Congresso.

“Eles têm que prestar esclarecimentos ao Congresso Nacional de qual é a postura efetivamente do governo Lula, porque sempre existiu, historicamente, um alinhamento do PT e da esquerda com o regime do Nicolás Maduro”, disse o deputado. Ele relembrou ainda que, durante a visita oficial, Lula comentou com jornalistas que muitos ouviram durante anos que Maduro era uma pessoa má, mas que isso não corresponderia à realidade.

Além das convocações, Filipe Barros afirmou que vai apresentar um requerimento de moção de apoio à prisão de Nicolás Maduro, a quem se referiu como “narcoditador”. O deputado também defendeu o envio de correspondências à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA), solicitando que os organismos internacionais se posicionem favoravelmente à manutenção de Maduro em cárcere.

Outra iniciativa anunciada pelo parlamentar é a articulação de uma missão oficial da Comissão de Relações Exteriores à Operação Acolhida, na fronteira do Brasil com a Venezuela, no Estado de Roraima. O objetivo é verificar de perto o trabalho de assistência aos refugiados e migrantes venezuelanos. “Quero ver se consigo fazer isso logo no comecinho de fevereiro”, afirmou. Segundo ele, a tendência é de aumento no fluxo migratório diante do cenário político no país vizinho.

A crise ganhou novos contornos no último sábado (3), quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo bombardeou o território venezuelano e capturou Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, com apoio da inteligência americana. Os Estados Unidos acusam o líder chavista de comandar um cartel de drogas e de envolvimento em atos de violência terrorista.

Na segunda-feira (5), Maduro declarou em um tribunal de Nova York que é inocente e que foi “sequestrado”. Já nesta terça-feira, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmou que a intervenção americana violou o direito internacional. Atualmente, a Venezuela está sob o comando da vice-presidente Delcy Rodríguez.

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