
O senador Cid Gomes (PSB-CE) avalia que uma eventual saída do ministro da Educação, Camilo Santana (PT), para atuar diretamente na campanha eleitoral no Ceará pode ter efeito negativo para o governador Elmano de Freitas (PT). Segundo Cid, o movimento tende a enfraquecer, e não fortalecer, o atual chefe do Executivo estadual, ao recolocar Camilo em posição de destaque no cenário local.
Camilo deve deixar o Ministério da Educação para se dedicar às campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Elmano no Estado. Na análise de Cid, porém, a presença mais intensa do ex-governador na disputa pode comprometer o protagonismo político de Elmano.
“Se ele sair, isso é terrível para o Elmano. O Camilo, como foi um excelente governador, saiu muito bem avaliado; ele não deixa de ser uma sombra para o governador Elmano. Agora, se ele sai do ministério, isso deixa de ser uma sombra e passa a ser um fantasma”, afirmou o senador em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
O debate ocorre em meio ao avanço do calendário eleitoral e a um cenário considerado desafiador para o Palácio da Abolição. Levantamento Ipsos-Ipec, realizado entre os dias 13 e 16 de dezembro de 2025, aponta o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) na liderança da corrida pelo governo do Ceará.
Segundo a pesquisa, Ciro aparece com 44% das intenções de voto, enquanto Elmano soma 34%. O estudo ouviu 800 eleitores e tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Apesar da desvantagem no cenário eleitoral estimulado, o levantamento mostra que a gestão de Elmano mantém avaliação positiva. A aprovação do governador chega a 59%, indicador que contrasta com a diferença registrada na intenção de voto.
Na avaliação de Cid Gomes, o histórico político de Camilo Santana amplia o risco de sobreposição de lideranças. Camilo governou o Ceará por dois mandatos consecutivos, sendo eleito em 2014 e reeleito em 2018 ainda no primeiro turno, com 79,96% dos votos.
Em 2022, elegeu-se senador da República com quase 70% dos votos válidos, consolidando-se como um dos principais nomes do PT no Nordeste. Para Cid, esse capital político, somado à alta aprovação de seus governos, tende a ofuscar Elmano caso Camilo deixe o MEC para atuar diretamente no Estado.
A leitura do senador é que a permanência de Camilo no ministério ajuda a preservar uma divisão mais clara de papéis, enquanto sua saída pode reabrir comparações diretas entre as gestões e gerar ruídos na estratégia eleitoral do PT no Ceará.

