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Condução do caso Master por Toffoli gera seis representações e pedido de impeachment

Decisões do relator e vínculos familiares citados em investigações motivam questionamentos na PGR, CNJ e Senado

23 janeiro 2026 - 13h15Juliano Galisi
Dias Toffoli é alvo de representações que questionam sua atuação no caso envolvendo o Banco Master.
Dias Toffoli é alvo de representações que questionam sua atuação no caso envolvendo o Banco Master. - Foto: Nelson Jr. / SCO / STF / ABrasil

A atuação do ministro Dias Toffoli no inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master levou à apresentação de seis representações contra o magistrado em diferentes instâncias, entre elas a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Senado Federal. As contestações se concentram em decisões consideradas atípicas por críticos e em supostos vínculos do relator com pessoas investigadas no caso.

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Desde a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a condução do processo por Toffoli passou a ser alvo de questionamentos no meio jurídico e político. Parte das críticas envolve decisões adotadas ao longo da relatoria e a relação do ministro com personagens citados nas investigações.

Apesar das contestações, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, saiu em defesa de Toffoli. Em nota, Fachin afirmou que a atuação do colega é “regular” e destacou que eventuais questionamentos sobre atos processuais deverão ser analisados pelo plenário do STF após o recesso.

As representações ganharam força após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelar que familiares de Toffoli venderam a participação no resort Tayayá ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O comprador, Fabiano Zettel, também é investigado por fraudes financeiras. A transação teria sido intermediada por uma empresa em nome do irmão do ministro, registrada em um imóvel em Marília, no interior de São Paulo. A cunhada de Toffoli, no entanto, negou que o marido tenha sido sócio do empreendimento.

Das seis representações apresentadas, cinco pedem a suspeição de Toffoli para continuar à frente do caso Master. Um desses pedidos já foi analisado e negado pela PGR. Os outros quatro aguardam manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Além disso, há um pedido de impeachment protocolado no Senado Federal.

A primeira representação foi apresentada à PGR em 12 de dezembro pelos deputados federais Caroline de Toni (PL-SC), Carlos Jordy (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP). Eles pediram a suspeição do ministro após a revelação de que Toffoli viajou ao Peru, em 2023, na companhia do advogado Augusto de Arruda Botelho, que atua na defesa de um diretor do Banco Master, para assistir à final da Libertadores, em Lima.

À época da viagem, Toffoli ainda não havia sido sorteado relator do caso. Mesmo assim, após assumir a relatoria, não se declarou impedido. A Procuradoria-Geral da República rejeitou o pedido no último dia 15. Em despacho, Paulo Gonet afirmou que o tema já estava sendo apurado no âmbito do STF e que não havia providência a ser tomada naquele momento. A decisão foi elogiada publicamente pelo ministro Gilmar Mendes.

Após o arquivamento, os mesmos parlamentares apresentaram nova representação à PGR, desta vez baseada nas relações familiares de Toffoli com o resort Tayayá. Na petição, eles apontam “conexões pessoais e patrimoniais” entre o relator e investigados na Operação Compliance Zero. O pedido ainda está sob análise.

Em outra frente, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) também acionou a PGR pedindo a suspeição de Toffoli, com base nos mesmos vínculos. Girão apresentou um aditamento à representação nesta sexta-feira (23), que ainda não foi apreciado.

O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) seguiu caminho semelhante e protocolou pedido de suspeição na PGR. Paralelamente, acionou o CNJ por possível violação à Lei Orgânica da Magistratura (Loman). Ambos os requerimentos seguem em análise.

No Senado, Eduardo Girão lidera um pedido de impeachment contra Toffoli, subscrito ainda pelos senadores Damares Alves (Republicanos-DF) e Magno Malta (PL-ES). A representação aponta suposto conflito de interesses e questiona atos processuais considerados atípicos, como a solicitação de uma acareação considerada prematura entre representantes do Banco Master, do Banco Central e do Banco de Brasília.

O pedido já foi protocolado no sistema do Senado, mas ainda aguarda recebimento formal pela Mesa Diretora. Após essa etapa, caberá à Advocacia da Casa emitir parecer antes da análise do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsável por decidir sobre o prosseguimento da denúncia.

Além das medidas formais, o ministro também foi alvo de um protesto organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) nesta quinta-feira (22). O ato ocorreu em frente à sede do Banco Master, nas proximidades da Avenida Faria Lima, em São Paulo. Manifestantes criticaram decisões tomadas no inquérito e pediram o afastamento de Toffoli da relatoria do caso.

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