
Depois de quase uma década sem carnaval de rua organizado pelo poder público, Rio Verde de Mato Grosso se prepara para receber milhares de foliões no Rio Verde Folia 2026. A festa será realizada nos dias 14, 15 e 16 de fevereiro, na Praça das Américas, com entrada gratuita, estrutura de grande porte e o que o prefeito Reus Fornari define como o maior trio elétrico de Mato Grosso do Sul. A retomada da folia é parte de uma estratégia mais ampla de resgate da vocação turística do município, que tem 60% de seu território no Pantanal.
“Estamos muito felizes com o nosso Rio Verde, por aquilo que está apresentando e por estar resgatando, talvez, aquilo que o Rio Verde deveria nunca ter perdido, que é a rota turística do nosso estado, uma das grandes rotas turísticas”, afirmou o prefeito, em entrevista ao Giro Estadual de Notícias, do Grupo Feitosa de Comunicação, nesta segunda-feira (10).
O Rio Verde Folia 2026 terá três dias de programação na Praça das Américas, com shows, estrutura de som e iluminação e acesso gratuito à população. A prefeitura promete montar o maior trio elétrico do estado para embalar a folia.
Dentro da programação, um dos destaques será o carnaval infantil, no domingo à tarde, voltado especialmente para as crianças e famílias. A gestão também prepara desfile de blocos, com sorteio de ordem de apresentação e premiação em dinheiro. Reus Fornari mencionou a possibilidade de valores de 5 mil, 3 mil e 2 mil reais para os blocos melhor avaliados. “Os blocos vão desfilar e vão ter uma premiação boa”, resumiu o prefeito, destacando o clima de retomada da alegria na cidade.
Festa chegou a atrair 10 mil pessoas em um só dia na cidade. (Foto: Notícias de Rio Verde)A volta do carnaval em uma cidade turística traz, junto com a expectativa de festa, a preocupação com a segurança. O prefeito admite que esse foi um dos principais motivos que levaram municípios turísticos a repensar a realização de grandes eventos de rua. “O carnaval passou de um grande evento de entretenimento para uma coisa que preocupa um pouco, porque entrava ali no meio da folia pessoas não muito… e aconteciam problemas sérios”, lembrou, citando exemplos de cidades que chegaram a cancelar a folia após episódios de violência.
Para evitar esse cenário, a prefeitura de Rio Verde montou uma força-tarefa com Polícia Civil, Polícia Militar, Judiciário, Câmara Municipal e demais órgãos de segurança. A Praça das Américas terá controle de acesso, com triagem na entrada para impedir a entrada de objetos cortantes, como facas e canivetes, e de garrafas.
“Não é fechar, mas nós vamos fazer uma triagem na entrada da praça, para que as pessoas não tenham problema de entrar com nenhuma coisa cortante, uma faca, coisa parecida, não pode, canivete não pode”, explicou. Bebidas poderão ser levadas, desde que em latas ou recipientes que não ofereçam risco. O tradicional tereré também está liberado.
A cidade passou, nos últimos anos, por uma reestruturação na área de segurança. Segundo o prefeito, Rio Verde tinha índices preocupantes, inclusive em relação a crianças, mas hoje figura entre as cidades mais seguras do estado, resultado de investimentos e ações contínuas.
Outro ponto que costuma preocupar foliões em alta temporada é o preço de comida e bebida. Em Rio Verde, a prefeitura decidiu assumir a responsabilidade pela estrutura para garantir valores considerados justos.
Na área da festa, serão 16 barracas de alimentação, além das barracas de bebida. A gestão municipal fornece toda a infraestrutura para os comerciantes – barracas, água, iluminação – sem cobrança de taxa, com a contrapartida de que não haja abuso nos preços. “Lá é preço justo, não pode cobrar mais caro, não pode cobrar a cerveja o dobro do preço, o refrigerante o dobro do preço, o espetinho o dobro do preço. Não, não pode. E a gente fiscaliza isso”, reforçou Reus Fornari.
O município também vai controlar a atuação de ambulantes não credenciados. Segundo o prefeito, a preocupação não é apenas com a concorrência, mas com a qualidade e a procedência dos produtos vendidos na rua. Somente quem comprovar oferecer produtos de qualidade poderá atuar.
Durante participação ao vivo no Giro Estadual de Notícias, Reus Fornari fala sobre o fortalecimento do turismo e o novo Carnaval de Rio Verde.Balneários cheios, leitos esgotados e camping em alta - A retomada do carnaval oficial acontece em um cenário de aquecimento do turismo local. Rio Verde, localizada a cerca de 200 quilômetros de Campo Grande pela BR-163, reúne balneários, serras e acesso direto à planície pantaneira, o que atrai turistas de várias regiões.
Para este feriado de carnaval, a rede hoteleira já está lotada. De acordo com o prefeito, os cerca de 1.200 leitos disponíveis em hotéis e pousadas estão todos ocupados. A expectativa é receber algo entre 5 e 8 mil pessoas, somando hospedagem formal, balneários, campings e casas alugadas.
“Quem não tem nada reservado ainda, se preocupe com isso, porque não tem mais vaga nos hotéis, nas pousadas, não tem mais vaga”, alertou. Mesmo assim, ele lembra que ainda é possível encontrar casas para aluguel de temporada e espaços para camping.
Quatro balneários particulares também prepararam programações especiais para os dias de carnaval, com atividades voltadas para crianças, adolescentes e adultos. A ideia é que o visitante sempre tenha algo para fazer, seja na festa de rua, seja nos pontos turísticos particulares.
Pensando no futuro, a prefeitura já separou uma área para implantar um grande camping municipal. A intenção é criar uma estrutura considerada modelo no país, vocacionada para encontros de motoqueiros, motorhomes, carros antigos e grupos de jovens que buscam esse tipo de turismo mais próximo da natureza.
“Porque o tipo de turismo que o Rio Verde oferece, o camping cabe muito bem”, avaliou o prefeito.
Resgate da vocação turística do Pantanal - A retomada do carnaval é apenas uma peça de um projeto maior de reposicionar Rio Verde como uma das principais portas de entrada do Pantanal sul-mato-grossense. O município tem 60% do seu território em área pantaneira e é apontado como a única cidade pantaneira com três serras bem localizadas, que permitem descer da serra direto para a planície.
Entre elas, estão regiões como Pindaivão e Alegria, citadas por Reus Fornari, que oferecem vistas privilegiadas da paisagem. Nos últimos anos, a prefeitura afirma ter investido em embelezamento urbano, iluminação pública, pavimentação asfáltica e melhoria da estrutura de hotéis, pousadas e balneários para receber melhor os visitantes.
“Ela oferece toda essa riqueza que a natureza oferece. Isso é o que a gente está aproveitando, todo esse benefício que Deus nos deu, para que a gente possa trabalhar e voltar a ter, com certeza, a grande rota turística desse estado”, afirmou.
Além da natureza, o município aposta em novos equipamentos culturais. Uma universidade federal deve implantar em Rio Verde um laboratório ligado à chamada Rota Rupestes e um museu arqueológico. A prefeitura já adquiriu área para instalar um orto com a réplica da casa do poeta Manoel de Barros, cuja propriedade fica em Rio Verde, e da casa do músico Almir Sater, também ligado à região.
Há ainda o projeto de um Museu do Pantanal, que deve contar com uma sala 3D. Nela, o visitante poderá “viajar” pelo bioma, assistir a vazantes, observar tuiuiús, jacarés, onça-pintada e acompanhar de perto uma piracema, simulando a experiência de quem entra no coração pantaneiro. “Onde a pessoa que não teve a oportunidade, talvez, de entrar no Pantanal lá dentro, vai ter uma noção bem clara do que é o nosso Pantanal”, explicou o prefeito.
Reus Fornari detalha a programação do Rio Verde Folia 2026 e as ações de segurança para os foliões.Plebiscito para virar Rio Verde do Pantanal - No mesmo movimento de reforçar a identidade turística, a prefeitura trabalha para alterar a denominação oficial do município, hoje Rio Verde de Mato Grosso, para Rio Verde do Pantanal. A mudança, segundo Reus Fornari, não mudará o nome da cidade em si, nem o sentimento de pertencimento dos moradores, que continuarão sendo rio-verdenses, mas corrigirá a referência geográfica.
“Nós pertencemos a Mato Grosso, não pertencemos mais. Nós somos de Mato Grosso do Sul. Outra, Rio Verde tem 60% da sua área no Pantanal. Rio Verde, com esse nome de Rio Verde do Mato Grosso, não tem identidade”, argumentou.
O prefeito esteve com a ministra Cármen Lúcia, do Tribunal Superior Eleitoral, para tratar do plebiscito que deve ouvir a população sobre a mudança. Segundo ele, a ministra concordou com a proposta e pediu o encaminhamento oficial do pedido. A prefeitura já enviou o projeto à Câmara Municipal, que aprovou por unanimidade, e articula com a Assembleia Legislativa e o Tribunal Eleitoral do Estado.
A proposta também conta, de acordo com o prefeito, com apoio do governo estadual e de entidades locais, que assinaram manifestações favoráveis à mudança. A expectativa da gestão é realizar o plebiscito ainda este ano.
Para Reus Fornari, adotar o nome Rio Verde do Pantanal facilitará o marketing do município no Brasil e no exterior. Ele cita o exemplo de um turista no Japão que busca informações sobre o Pantanal na internet: com a mudança, a cidade passaria a ser identificada imediatamente como uma das portas de entrada do bioma.
