
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), afirmou nesta terça-feira, 27, que já comunicou à cúpula do partido a decisão de deixar a legenda e que negocia filiação a outras siglas com o objetivo de disputar a Presidência da República. Segundo ele, o processo é considerado irreversível e deve ser concluído nos próximos dias.
Em entrevista à rádio Nova Brasil, Caiado disse que informou pessoalmente o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto sobre sua decisão. “Eu já informei o presidente do partido, o Rueda, o ACM Neto, que é meu amigo, irmão, e já disse que entendo a dificuldade do partido. Só que, nessa situação, eu já estou buscando também uma alternativa para ter outro partido pelo qual me candidatar”, afirmou.
De acordo com o governador, as conversas sobre uma eventual saída do União Brasil se intensificaram desde o fim do ano passado, mas chegaram agora a um ponto decisivo. “Essa é uma realidade que vem sendo discutida desde o período do Natal e do ano novo, e chegou o momento em que não se pode esperar mais”, disse.
Sem citar nomes de legendas, Caiado confirmou que mantém diálogo com outros partidos e sinalizou que a definição sobre a nova filiação deve ocorrer em breve. “Irei até o fim. Estou em contato com outros partidos, e o entendimento é avançarmos para a campanha. Isso é algo a ser resolvido nos próximos dias”, declarou.
A movimentação ocorre em um contexto em que Caiado aparece atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulações eleitorais. Segundo pesquisa AtlasIntel divulgada em 21 de janeiro, Lula teria 49% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o governador de Goiás, que aparece com 39%. Outros 13% disseram não saber ou preferiram não responder. O levantamento ouviu 5.418 pessoas, entre 15 e 20 de janeiro, com margem de erro de 1 ponto porcentual e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-02804/2026.
Durante a entrevista, Caiado defendeu a pulverização de candidaturas no campo da direita como estratégia eleitoral para enfrentar o PT. Para ele, a concentração em um único nome favorece o governo. “Com o PT no poder, é um processo duro, que não tem limite e tenta ganhar a eleição a qualquer custo. Se houver apenas um candidato, ele terá dificuldade de chegar até outubro”, afirmou.
O governador também avaliou o peso político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no próximo pleito. Embora reconheça a influência de Bolsonaro, Caiado disse que o apoio do ex-presidente não garante transferência automática de votos. “Uma coisa é ele ser candidato, outra é indicar alguém. Não existe transferência total”, declarou. Ele acrescentou que apoiaria o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno.
