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AJUDA HUMANITÁRIA

Brasil envia 40 toneladas de remédios à Venezuela após ataque dos EUA

Primeira remessa de insumos para hemodiálise atende 16 mil pacientes e não afeta assistência a brasileiros, diz Ministério da Saúde

9 janeiro 2026 - 13h05Andreza de Oliveira
Brasil envia 40 toneladas de insumos à Venezuela para garantir hemodiálise a 16 mil pacientes, sem afetar atendimento a brasileiros.
Brasil envia 40 toneladas de insumos à Venezuela para garantir hemodiálise a 16 mil pacientes, sem afetar atendimento a brasileiros. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O Ministério da Saúde começou nesta sexta-feira, 9, a enviar para a Venezuela uma carga de 40 toneladas de medicamentos e insumos hospitalares, em resposta à destruição do principal centro de distribuição de La Guaira após ataques dos Estados Unidos. A remessa faz parte de um total de 100 toneladas de suprimentos que, segundo a pasta, serão encaminhadas nas próximas semanas para garantir a continuidade do tratamento de hemodiálise a cerca de 16 mil pacientes venezuelanos.

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De acordo com o ministério, a decisão de enviar os insumos foi tomada depois que o principal centro de distribuição de medicamentos da cidade de La Guaira foi destruído durante os ataques norte-americanos ao país vizinho. A estrutura era responsável pela organização e distribuição de materiais usados em tratamentos essenciais, entre eles a hemodiálise.

Com a interrupção da logística, milhares de pacientes renais passaram a correr risco imediato de desassistência. A avaliação da pasta é que, sem reposição rápida dos produtos, essas pessoas poderiam ter o tratamento interrompido de forma abrupta, o que representa risco direto à vida.

A carga enviada nesta sexta-feira reúne uma lista de itens considerados fundamentais para manter em funcionamento os serviços de diálise na Venezuela. Entre os materiais estão medicamentos de uso contínuo, filtros, linhas arterial e venosa, cateteres e soluções específicas utilizadas nos procedimentos de hemodiálise.

Segundo o Ministério da Saúde, esses insumos permitirão manter o atendimento a cerca de 16 mil pacientes venezuelanos que dependem da diálise. A pasta ressalta que essas pessoas “correm risco de vida se não tiverem a continuidade do tratamento a que se submetiam antes da ofensiva”, reforçando o caráter emergencial da ajuda.

A operação faz parte de um pacote maior, que prevê o envio de 100 toneladas de suprimentos ao longo das próximas semanas. A cada remessa, o foco será garantir que unidades de saúde venezuelanas tenham condições mínimas para seguir atendendo os pacientes renais crônicos.

Os insumos enviados à Venezuela não foram retirados diretamente dos estoques usados na rotina do Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde afirma que o material foi obtido por meio de doações de hospitais universitários e instituições filantrópicas de diferentes regiões do país.

Conforme o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o envio da carga não compromete a assistência prestada no Brasil. Ele destaca que a doação não afetará os serviços do SUS nem o atendimento dos cerca de 170 mil brasileiros que realizam diálise pela rede pública.

Ao frisar que os estoques nacionais seguem garantidos, o ministério busca afastar a preocupação de que a ajuda humanitária possa gerar falta de medicamentos ou insumos para pacientes brasileiros. A mensagem é de que, mesmo com a doação, há condições de manter a assistência interna e, ao mesmo tempo, estender suporte ao país vizinho.

Além do caráter emergencial, o governo brasileiro apresenta a medida como um gesto de solidariedade diante da crise enfrentada pela Venezuela. Segundo o Ministério da Saúde, a doação é uma forma de apoiar diretamente a população que depende do sistema público de saúde venezuelano, especialmente os pacientes mais vulneráveis.

O ministro Alexandre Padilha também associa a iniciativa a um gesto de reciprocidade. Ele lembra que, durante a pandemia de covid-19, a Venezuela enviou oxigênio ao Brasil em um momento crítico da crise sanitária. Agora, o governo brasileiro afirma que a ajuda com medicamentos e insumos procura retribuir o apoio recebido naquele período, mantendo viva a cooperação entre os dois países na área da saúde.

Essa dimensão política e simbólica aparece em uma carta enviada por Padilha à ministra da Saúde da Venezuela, Magaly Gutiérrez. No documento, o ministro brasileiro formaliza o apoio do governo à garantia da assistência à saúde dos venezuelanos, com destaque para os pacientes em diálise, diretamente afetados pela destruição do centro de distribuição em La Guaira.

A prioridade da operação é assegurar a continuidade da hemodiálise, tratamento vital para pessoas com insuficiência renal grave. Sem sessões regulares, o organismo deixa de eliminar toxinas e excesso de líquidos, o que pode levar rapidamente a complicações graves.

Por isso, o Ministério da Saúde reforça que o envio de filtros, linhas arterial e venosa, cateteres e soluções usadas no procedimento é central para evitar a interrupção do serviço. Os cerca de 16 mil pacientes citados pela pasta dependem diretamente desses insumos para seguir vivos e com alguma estabilidade clínica.

Ao destacar que essas pessoas “correm risco de vida” se ficarem sem tratamento, o governo brasileiro procura dar dimensão humana à operação, indo além da contabilidade de toneladas e volumes. A narrativa é de que cada lote enviado representa a chance de manter milhares de sessões de diálise em funcionamento no sistema de saúde venezuelano.

Enquanto a ajuda segue por via oficial para a Venezuela, o Ministério da Saúde também mantém atenção sobre a situação na fronteira. Na última terça-feira, 6, a pasta informou ter enviado uma equipe para Roraima com o objetivo de monitorar o fluxo de pessoas que chegam do país vizinho e avaliar a estrutura de saúde disponível na região.

A ação integra a Operação Acolhida, que funciona com uma equipe de 40 profissionais de saúde atuando em Pacaraima, em Roraima. Esses trabalhadores atendem migrantes em espaços de alojamento e em ocupações espontâneas, prestando assistência básica a quem cruza a fronteira.

Até o momento, segundo o ministério, não foi necessário ampliar as equipes de saúde em Pacaraima e em Boa Vista. O monitoramento, porém, continua, diante da possibilidade de aumento do fluxo migratório em razão da crise na Venezuela.

Além das equipes de saúde, o governo federal também deslocou a Força Nacional de Segurança Pública para a região de fronteira. O grupo vai atuar por 90 dias em Pacaraima e Boa Vista, apoiando as ações de acolhimento e garantindo segurança em áreas de maior concentração de venezuelanos.

A presença da Força Nacional se soma à estrutura montada pelo Ministério da Saúde para atendimento aos migrantes. A ideia é ter, ao mesmo tempo, resposta humanitária, assistência em saúde e reforço na segurança pública, em um cenário considerado delicado.

O plano do Ministério da Saúde é atingir, nas próximas semanas, a marca de 100 toneladas de medicamentos e insumos enviados à Venezuela. A primeira remessa, com 40 toneladas, abre o caminho para outros carregamentos que devem seguir a mesma lógica: focar em materiais considerados essenciais para manter atendimentos em curso, em especial os ligados à hemodiálise.

Com a carta enviada à ministra Magaly Gutiérrez e o envio de cargas sucessivas, o governo brasileiro tenta se colocar como parceiro na tentativa de garantir o mínimo de estabilidade à rede de saúde venezuelana em meio à crise. A expectativa da pasta é que a ajuda contribua para evitar uma ruptura completa nos serviços de diálise e reduza o risco imediato para milhares de pacientes.

Enquanto isso, a vigilância segue reforçada em Roraima, com equipes observando de perto os impactos da situação na fronteira. Em paralelo, o Ministério da Saúde sustenta que a operação de ajuda não comprometerá o atendimento no Brasil, nem o cuidado com os cerca de 170 mil brasileiros que dependem de hemodiálise pelo SUS.

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