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13 de fevereiro de 2026 - 12h24
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CASO MASTER

Quem é André Mendonça, novo relator do caso Banco Master no STF

Ministro foi sorteado após Dias Toffoli deixar a condução das investigações sobre fraudes envolvendo a instituição

13 fevereiro 2026 - 10h50Redação O Estado de S. Paulo
André Mendonça foi sorteado relator das investigações sobre o Banco Master no STF.
André Mendonça foi sorteado relator das investigações sobre o Banco Master no STF. - (Foto: Felipe Sampaio STF)

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado para a relatoria das investigações sobre o Banco Master. Mendonça vai assumir a condução do caso depois que Dias Toffoli abdicou da função.

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Indicado por Jair Bolsonaro para a vaga de ministro, ele foi classificado pelo ex-presidente à época como "terrivelmente evangélico". Mendonça é ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União.

O ministro Dias Toffoli decidiu deixar a relatoria das investigações sobre as fraudes no Master. A decisão foi anunciada pelo Supremo Tribunal Federal após reunião dos dez ministros da Corte.

Evangélico, mas de uma igreja nova e "mais progressista" que outras vertentes, Mendonça foi apontado como "técnico idealista" por entrevistados ouvidos pelo Estadão quando assumiu o comando da AGU, em julho de 2019.

Nascido em Santos (SP) e torcedor do time alvinegro do litoral paulista, foi criado numa família religiosa e viveu em diferentes cidades do Estado, inclusive Miracatu, reduto da família presidencial. O pai era funcionário do Banespa. É casado e tem um casal de filhos.

Antes de ingressar na AGU, via concurso, foi advogado da Petrobras Distribuidora entre 1997 e 2000. Em instituições privadas, cursou Direito em Bauru (SP) e Teologia em Londrina (PR). Fez pós-graduação em Direito Público na Universidade de Brasília (UnB), mestrado e doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha.

Na AGU, foi corregedor-geral, adjunto do procurador-geral da União e diretor do Departamento de Patrimônio e Probidade, após convite do ministro Dias Toffoli.

Na Controladoria-Geral da União (CGU), assessorou o ministro Wagner Rosário, dedicado aos acordos de leniência, dos quais é entusiasta. Tocou casos relacionados à Lava Jato e colecionou algumas rusgas. Em um destes desentendimentos, Mendonça "parou de falar" com uma colega e se recusava a participar de reuniões em que a desafeta estivesse presente, conta uma auditora, que, reservadamente, avalia a postura como "autoritária e até infantil".

Questionado sobre o episódio, Mendonça afirmou que "podem ter havido diferenças de opiniões em determinadas análises técnicas". "De minha parte, nada além disso", disse.

Mendonça não fez campanha aberta por Bolsonaro em 2018. Em vez disso, um perfil dele nas redes sociais revelava entusiasmo com a eleição de Marina Silva, então candidata à Presidência pela Rede Sustentabilidade.

Em 2002, o atual ministro havia publicado um artigo simpático à vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no jornal Folha de Londrina, quando era procurador da União na cidade. "Temos o primeiro presidente eleito do povo e pelo povo", escreveu.

Instituto Iter

Como revelou o Estadão, o Instituto Iter, fundado por André Mendonça, arrecadou pelo menos R$ 4,8 milhões. A maior parte dessas receitas é proveniente de contratos assinados com instituições públicas entre maio de 2024 e outubro do ano passado.

O ministro é o rosto do instituto, presente nas principais peças publicitárias, e também sua principal atração. É do prestígio de seu nome que derivam boa parte dos contratos. O próprio Mendonça declara que o Iter, além de cursos, se oferece para sediar conversas com autoridades, como um lugar neutro, longe das "influências" em Brasília.

O Iter foi criado como uma empresa de sociedade limitada (Ltda.) em novembro de 2023, quando Mendonça já integrava o STF. As atividades só começaram no início de 2024. No mesmo ano, o Iter virou uma S.A. (sociedade anônima de capital fechado).

Em nota enviada por meio do Iter, o ministro afirmou que "sua atuação no instituto é exclusivamente educacional" e está autorizada pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). "O ministro entende que suas atividades docentes e acadêmicas são plenamente compatíveis com sua função no Supremo Tribunal Federal", disse.

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