
O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que vem sofrendo pressão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de políticos para impedir que a comissão vote a convocação do ministro Dias Toffoli. A declaração foi feita nesta sexta-feira, 13, em entrevista à GloboNews.
“Sempre há pressão quando se lida com investigados deste tamanho. São bilhões de reais e figuras muito poderosas nas três esferas do poder”, disse Vieira. “Isso é completamente previsível. Não foi a primeira vez nem será a última.”
Toffoli deixou recentemente a relatoria do caso envolvendo o Banco Master, após a Polícia Federal encontrar menções ao nome do ministro no celular do dono da instituição, Daniel Vorcaro.
Vieira classificou como “vexame” a nota assinada por todos os ministros do STF em defesa de Toffoli.
“Os recados que estão sendo enviados para a Polícia Federal são terríveis, são duríssimos. A nota publicada por dez ministros do Supremo é um vexame porque diz que Toffoli não pode continuar como relator, mas, ao mesmo tempo, afirma que ele é imaculado e intocável”, declarou.
O senador também criticou o fato de apenas a Procuradoria-Geral da República poder autorizar investigações contra ministros da Corte.
“Há um paradoxo no Brasil. É uma decisão quase unilateral da PGR e isso limita muito a nossa democracia”, afirmou.
A expectativa, segundo o relator, é que a votação do requerimento de convocação de Toffoli ocorra em 24 de fevereiro, data marcada para a próxima reunião da CPI. A decisão de pautar o tema partiu do presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES).
“Eu vejo a votação como fundamental para darmos um respaldo e uma amplitude para a investigação. Temos quatro grandes escândalos que se entrelaçam: emendas parlamentares, Carbono Oculto, INSS e, agora, o Banco Master”, disse Vieira.
Ainda nesta sexta-feira, o presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que solicitou ao ministro André Mendonça, do STF, a devolução à comissão de documentos relacionados às quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Vorcaro.
Para Vieira, os indícios apontam conexões mais amplas. “Quando você olha mais de perto, percebe que está tudo entrelaçado em duas pontas: na ponta da lavagem de dinheiro, onde você tem Master, Reag etc., e na ponta da infiltração política e judicial do crime organizado”, afirmou.
A CPI pretende apurar transações envolvendo o Tayayá Resort, empreendimento ligado à empresa Maridt, que tem participação dos irmãos de Toffoli e que contou com investimentos de fundos relacionados a pessoas ligadas a Vorcaro.
Reportagem revelou que a empresa dos irmãos do ministro vendeu sua fatia no resort a fundos de investimento que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, apontado como cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Toffoli confirmou ser sócio da empresa e ter recebido dividendos, mas afirmou não manter relação de amizade com o banqueiro.
A comissão também deve votar, após o carnaval, requerimentos de quebra de sigilo e convocação relacionados ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Segundo informações divulgadas por O Globo, o contrato do escritório com o Banco Master poderia alcançar R$ 129 milhões se integralmente executado.
Criada em novembro do ano passado, a CPI do Crime Organizado investiga lavagem de dinheiro, corrupção, ocupação de territórios por facções e o sistema prisional. Para o relator, as movimentações envolvendo o Banco Master justificam a ampliação do escopo das apurações.

