
Um episódio pouco conhecido dos bastidores da política nacional voltou à tona nesta sexta-feira (6). O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou ter recebido um convite pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar a Presidência da República em 2010 com o apoio do petista, desde que deixasse o PSDB e se filiasse ao então PMDB, atual MDB.
A declaração foi feita durante entrevista à Rádio Gaúcha. À época, Aécio era governador de Minas Gerais, e o convite, segundo ele, ocorreu durante uma visita de Lula ao estado. O contexto refletia a rivalidade histórica entre PT e PSDB, que marcaram as principais disputas presidenciais desde os anos 1990.
De acordo com o deputado, Lula fez o convite de forma descontraída. Durante o encontro, teria mostrado uma meia e brincado que, para ser presidente, Aécio precisaria de “duas coisas: ter uma meia bonita como essa minha e se filiar ao MDB”.
Aécio afirmou que recusou a proposta. Segundo ele, não havia possibilidade de deixar o PSDB naquele momento, nem obsessão pessoal pela disputa presidencial. O assunto não voltou a ser tratado, e Lula acabou lançando Dilma Rousseff como candidata em 2010, com Michel Temer, então no PMDB, como vice.
A fala de Aécio também resgatou o cenário político daquele período. Após o desgaste provocado pelo escândalo do Mensalão, o governo Lula buscou aproximação com o PMDB, partido que, junto ao PT, passou a deter as maiores bancadas da Câmara dos Deputados. O acordo resultou no revezamento da presidência da Casa e, posteriormente, na escolha de Temer como vice na chapa de Dilma, estratégia que também ampliou o tempo de propaganda eleitoral da campanha petista.
A declaração surgiu após o deputado ser questionado sobre com quem se sentaria em um voo entre Rio Grande do Sul e Brasília: Lula ou o presidente do PSD, Gilberto Kassab. Aécio afirmou que se sentaria ao lado de ambos, mesmo após ter chamado Kassab de “abutre” recentemente, em reação à saída de seis deputados estaduais paulistas do PSDB para o PSD.
Na entrevista, Aécio destacou que sempre manteve uma relação institucional tranquila com Lula, especialmente durante os oito anos em que governou Minas Gerais enquanto o petista era presidente. Segundo ele, Lula teve uma postura administrativa correta e republicana com o Estado, sem favorecimentos, mas também sem prejuízos.
Em tom informal, o deputado ainda contou que Lula costumava ligar ocasionalmente para pedir cachaça produzida em sua fazenda em Minas Gerais.
