
A Polícia Civil de Goiás realizou, na sexta-feira (30), a reconstituição do assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas. A simulação incluiu disparos de arma de fogo, utilizados, segundo os investigadores, exclusivamente para avaliar a acústica do local e ajudar a estabelecer a dinâmica do crime. A corporação reforça que isso não significa que a vítima tenha sido morta a tiros.
A perícia no corpo de Daiane, encontrado em estado de decomposição, ainda não foi concluída. O principal suspeito é Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, síndico do condomínio onde ambos moravam, que está preso. A defesa afirma que ele colabora com a investigação.
Escoltado por policiais e usando colete à prova de balas, Oliveira foi levado ao condomínio e conduzido ao subsolo do edifício, local onde a polícia acredita que a corretora tenha sido morta. Moradores foram avisados previamente sobre a possibilidade de barulhos de tiros e orientados a manter a rotina.
De acordo com a Polícia Civil, embora não haja relatos de disparos no dia do crime, o intervalo estimado de oito minutos entre o último registro da vítima e o desfecho sugere a hipótese de uso de arma de fogo, o que motivou os testes. Ainda assim, os investigadores destacam que o modo exato da morte não foi esclarecido.
A polícia informa que o suspeito confessou o crime, mas sem detalhar como a morte teria ocorrido. Em entrevista, a defesa questionou a validade da confissão, afirmando não haver certeza de que ela tenha sido livre e espontânea, sem intimidação.
Conflitos e possível motivação - A investigação aponta que a motivação pode estar ligada a conflitos na administração de imóveis do condomínio. Daiane passou a administrar seis apartamentos de parentes que antes estavam sob responsabilidade do síndico, o que teria provocado desentendimentos.
Cleber chegou a propor, em assembleia, restrições de acesso da corretora e de familiares às áreas comuns. Daiane recorreu à Justiça e venceu a ação, decisão proferida poucos dias antes de seu desaparecimento, o que, segundo a polícia, acentuou o conflito.
Daiane desapareceu em 17 de dezembro de 2025. Após mais de 40 dias de buscas, o corpo foi encontrado em 28 de janeiro, às margens da GO-213, em Caldas Novas, e encaminhado ao IML.
Segundo o delegado André Luís Barbosa, Daiane havia aberto 12 procedimentos contra o síndico. Três deles — por agressão, ameaça, constrangimento ilegal e stalking — resultaram em inquéritos concluídos e enviados ao Ministério Público.
Em outubro do ano passado, a Justiça tentou conciliação entre as partes, sem acordo. O processo seguiu para julgamento, ainda pendente.
O que indicam as provas - Para a polícia, o suspeito teria atraído a vítima ao subsolo ao desligar o disjuntor da energia do apartamento dela, ponto considerado cego pelas câmeras. Sem luz, Daiane gravou vídeos com o celular relatando o problema e enviou a uma amiga. Após ir à recepção, seguiu ao subsolo; um terceiro vídeo não foi enviado, porque, segundo a polícia, ela encontrou o síndico, que já a aguardava.
Os investigadores acreditam que o crime foi rápido e que o corpo foi removido em seguida na carroceria do veículo do suspeito. Câmeras registraram o deslocamento do carro até uma área de mata, com retorno cerca de 40 minutos depois, em circunstâncias consideradas contraditórias ao depoimento do investigado. A polícia afirma que houve limpeza do local e do veículo para eliminar vestígios e anunciou nova perícia com recursos tecnológicos.
Cleber responde por homicídio e ocultação de cadáver. O filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, foi preso por suspeita de destruição de provas e obstrução da investigação; ambos tiveram a prisão mantida em audiência de custódia. A defesa de Maykon afirma que ele não participou do crime e pede liberdade. Já a defesa de Cleber sustenta que ele segue colaborando com as autoridades.

