
O cantor e compositor paraibano João Lima teve a prisão preventiva decretada no último domingo (25), após a divulgação de vídeos que mostram agressões contra a esposa, a médica e influenciadora digital Raphaella Brilhante. As imagens circularam nas redes sociais e levaram a vítima a registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil da Paraíba, que também concedeu medida protetiva em favor dela. O casal estava casado havia cerca de dois meses.
A decisão judicial foi expedida durante o plantão do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) e assinada pelo juiz Bruno César Azevedo Isidro. A Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação e que não divulga novos detalhes enquanto as diligências estão em andamento.
As denúncias trouxeram visibilidade nacional ao nome do artista, até então conhecido principalmente no circuito musical do Nordeste, e provocaram impactos imediatos em sua carreira, com o cancelamento de apresentações previstas em sua agenda.
Trajetória
Natural de João Pessoa, João Lima atua como cantor, compositor e empresário, com trabalhos voltados aos gêneros forró e sertanejo. Ele iniciou a trajetória artística ainda na adolescência, aos 14 anos, e passou a ganhar projeção a partir de 2016, quando começou a ser citado como um dos novos nomes da música nordestina.
O cantor faz parte de uma família tradicional na música paraibana. Ele é neto de Pinto do Acordeon, um dos forrozeiros mais conhecidos do estado, que morreu em 2020, aos 72 anos, em decorrência de um câncer. A ligação familiar sempre foi usada como referência em entrevistas e divulgações do próprio artista ao longo da carreira.
O pai de João Lima é Cicinho Lima, cantor e político. Ele é suplente de deputado estadual pelo PL e ocupa atualmente o cargo de secretário executivo de Cultura da Paraíba. A nomeação gerou críticas de representantes do setor cultural no estado. Cicinho Lima também é conhecido pela proximidade política com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), relação frequentemente citada pela imprensa local.
Outro integrante da família ligado à música é Mô Lima, tio de João, que atua como sanfoneiro e mantém a tradição artística da família.
Atuação na música
João Lima trabalha de forma independente e utiliza as redes sociais como principal vitrine para divulgação de seus projetos. Ele soma mais de 70 mil seguidores, onde compartilha lançamentos, bastidores e agenda de shows.
Em 2024, lançou o álbum “Prazer, João Lima”, disponível nas plataformas de streaming. Como compositor, o cantor afirma ter músicas gravadas por artistas conhecidos do cenário nacional, entre eles Xand Avião, Wesley Safadão, Gustavo Mioto, Nattan, Os Menotti, Heitor Costa, Raí, Eric Land e Barões da Pisadinha.
Entre as canções associadas ao seu nome estão “Perigosa”, “Monotonia” e “Ela Disse que Gosta”. Ao longo dos últimos anos, o artista passou a se apresentar com frequência em festas populares, vaquejadas e eventos no Nordeste, ampliando a presença no circuito regional.
Com a repercussão das denúncias, produtores e contratantes começaram a cancelar apresentações previstas, refletindo os impactos imediatos do caso fora da esfera judicial.
Investigação
De acordo com informações divulgadas pela defesa de Raphaella Brilhante, os episódios de violência teriam começado após o casamento, ainda durante a lua de mel. Parte das agressões, segundo a defesa, foi registrada por câmeras internas da residência do casal.
João Lima é investigado por violência doméstica, e o caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil da Paraíba. A Justiça concedeu medida protetiva à vítima, e novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço das apurações.
