
A investigação envolvendo o ex-príncipe Andrew ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (20). Pelo segundo dia consecutivo, autoridades britânicas realizaram buscas em endereços ligados ao irmão do rei Charles III, um dia após ele passar 12 horas detido para prestar esclarecimentos.
A apuração mira a suspeita de que Andrew tenha compartilhado documentos confidenciais com o financista norte-americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto em 2019 em uma prisão de Nova York.
De acordo com a BBC, viaturas policiais foram vistas no Royal Lodge, em Windsor, residência onde Andrew morava até o início do mês. Após perder seus títulos reais em meio às repercussões do caso Epstein, ele deixou o imóvel.
As diligências também ocorreram em propriedades da realeza nos condados de Berkshire e Norfolk, incluindo a Sandringham House, onde o ex-príncipe reside atualmente.
Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em janeiro indicam que Andrew trocou e-mails com Epstein em 2010. À época, ele atuava como representante comercial do Reino Unido e teria enviado relatórios de viagens oficiais à Ásia.
Pena e impacto político - O crime investigado prevê pena máxima de prisão perpétua, embora especialistas avaliem que, em caso de condenação, uma punição menor seria mais provável.
O episódio é apontado como o maior abalo à monarquia britânica desde a morte da princesa Diana, em 1997. Em comunicado, o rei Charles afirmou ter recebido a notícia com “preocupação”, mas defendeu que o processo seja conduzido de forma completa e justa. “A lei deve seguir seu curso”, declarou.
Paralelamente, o governo britânico iniciou discussões sobre a possibilidade de retirar Andrew da linha de sucessão ao trono. Atualmente, ele ocupa a oitava posição. A exclusão dependeria de aprovação de lei no Parlamento, tema que ainda não reúne consenso entre conservadores e parte dos trabalhistas.
A prisão ocorre após anos de silêncio da família real sobre acusações de que Andrew teria abusado sexualmente de Virginia Giuffre quando ela tinha 17 anos. Ele nega as acusações. Giuffre, que afirmou ter sido traficada por Epstein e Ghislaine Maxwell, morreu em 2025, aos 41 anos.
Andrew é o primeiro membro sênior da realeza britânica a ser preso em quase quatro séculos. O último caso semelhante remonta a 1647, quando o rei Charles I foi detido durante a Guerra Civil Inglesa.
O caso segue sob investigação e deve manter a monarquia no centro do debate público nas próximas semanas.

