
Um policial penal que ocupava cargo de chefia no chamado “grupo de elite” da Agepen foi preso suspeito de integrar uma organização criminosa voltada para o tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul. Antônio Fernando Martins da Silva foi alvo da Operação Rota Blindada, deflagrada na quinta-feira (19) pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontaram que o servidor utilizava a própria função pública e uma viatura oficial para transportar drogas da fronteira, em Corumbá, até Campo Grande. A prática ficou conhecida no esquema como “frete seguro”, justamente porque o uso do veículo institucional diminuiria o risco de fiscalização nas rodovias.
Além de Antônio, também foi preso Diego Henrique de Souza Almeida. Ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão e seis mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Corumbá. A Corregedoria da Polícia Penal acompanhou a ação.
Uso da estrutura pública - Conforme apurado pela Denar, o policial se valia da estrutura da corporação para facilitar o transporte da droga. A viatura oficial funcionaria como uma espécie de blindagem, reduzindo suspeitas durante o trajeto entre a região de fronteira e a Capital.
À época da prisão, Antônio exercia o cargo de comandante do Grupo Tático de Escolta (GTE) de Campo Grande, vinculado ao Comando de Operações Penitenciárias (Cope) da Agepen. O setor é considerado de atuação estratégica dentro da instituição.
Nesta sexta-feira (20), o diretor-presidente da Agência Estadual de Administração Penitenciária (Agepen), Rodrigo Rossi Maiorchini, publicou no Diário Oficial do Estado a dispensa de Antônio Fernando Martins da Silva da função de chefia. A exoneração tem efeito retroativo a 19 de fevereiro, data da prisão.
Em nota, a Agepen afirmou que a conduta atribuída ao servidor representa um desvio individual “absolutamente incompatível com os princípios que regem a Polícia Penal e não reflete a postura institucional”.
A instituição informou ainda que a Corregedoria instaurou procedimento administrativo para apurar os fatos e adotar as medidas administrativas e legais cabíveis.
“A instituição mantém política permanente e implacável de combate a desvios de conduta, com fiscalização contínua, corregedoria atuante e mecanismos internos de controle. Eventuais irregularidades são tratadas com absoluto rigor e transparência”, destacou a Agepen.
O caso segue sob investigação da Denar.

