
Na manhã de terça-feira (10), o centro de Terenos acordou com mais uma operação contra suspeitas de corrupção. Desta vez, investigadores do Gaeco e do Gecoc cumpriram mandado em uma empresa localizada na Rua Dr. Ari Coelho.
O alvo foi um empresário da cidade. Ele foi o único investigado em Terenos nesta fase da operação. A ação faz parte de um inquérito que apura possíveis fraudes em contratos públicos nos municípios de Rio Negro e Corguinho.
A empresa funciona em um prédio comercial no centro da cidade, a 31 quilômetros de Campo Grande. No mesmo endereço, há outros estabelecimentos, como uma loja de roupas, um escritório de advocacia e a sede de uma construtora ligada à família do empresário.
O proprietário da empresa, R. L. R., acompanhou o trabalho dos investigadores. Ele disse que recebeu a intimação e decidiu cooperar. Segundo o empresário, ainda não sabe qual parte do negócio está sendo investigada.
Em fala breve, afirmou que quem trabalha com órgãos públicos precisa aceitar esse tipo de situação. Disse também que não adianta ficar bravo e que é preciso cumprir as ordens oficiais.
R. L. R. confirmou que mantém contratos com prefeituras, mas não informou quais. Contou que presta serviços em áreas diferentes, como construção, impressão de materiais e manutenção de computadores. Disse ainda que o caso corre em sigilo e que, por isso, não recebeu mais detalhes.
A operação investiga um suposto esquema de corrupção que envolve servidores públicos e empresas privadas. A suspeita é de fraude em licitações e contratos administrativos em cidades do interior de Mato Grosso do Sul.
Além de Terenos, os investigadores cumpriram mandado de busca em Aquidauana. O foco principal do inquérito está nos municípios de Rio Negro e Corguinho.
Durante a ação, equipes do Batalhão de Choque da Polícia Militar permaneceram em frente ao prédio comercial. A movimentação chamou a atenção de moradores e comerciantes da região central.
Com pouco mais de 18 mil habitantes, Terenos se tornou um dos municípios mais citados em investigações contra a corrupção no estado. Nos últimos dois anos, cinco operações tiveram a cidade como cenário.
Em janeiro de 2026, duas ações do Gaeco, chamadas Collusion e Simulatum, apuraram a atuação de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e contratos públicos. Os contratos envolviam materiais e serviços gráficos firmados com a prefeitura e a Câmara Municipal.
No ano anterior, o então prefeito H. B., do PSDB, foi alvo de investigação e se afastou do cargo. Na operação Spotless, os investigadores apontaram que o patrimônio do prefeito cresceu de R$ 776 mil para R$ 2,46 milhões, valor considerado incompatível com a renda declarada.
Em 2024, outra operação, chamada Velatus, investigou fraudes milionárias em contratos públicos no município.
Somadas, as operações revelam um histórico recente de suspeitas repetidas sobre o uso do dinheiro público em Terenos. As investigações seguem em andamento e, até o momento, não há informações sobre prisões ou denúncias formais nesta nova fase.
