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INVESTIGAÇÃO FEDERAL

Operação Carbono Oculto mira PCC, expõe infiltração de R$ 52 bi no setor financeiro e de combustível

Ação mobiliza 1.400 agentes em dez estados e investiga redes de postos, fintechs e fundos ligados ao crime organizado

29 agosto 2025 - 16h15Juliano Galisi
Megaoperação investiga lavagem de R$ 52 bilhões em fundos, fintechs e redes de combustíveis ligados ao PCC
Megaoperação investiga lavagem de R$ 52 bilhões em fundos, fintechs e redes de combustíveis ligados ao PCC - Foto: Werther Santana/Estadão
ENERGISA

A maior ofensiva já registrada no Brasil contra a infiltração do crime organizado na economia formal foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (28), com a Operação Carbono Oculto, que investiga o desvio e movimentação de R$ 52 bilhões ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de instituições financeiras e empresas do setor de combustíveis.

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Com 1.400 agentes mobilizados em dez estados, a ação envolve a Polícia Federal, a Polícia Militar, as Receitas Estadual e Federal e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Ao todo, foram cumpridos 200 mandados de busca e apreensão contra 350 alvos, incluindo 42 localizados na região da Avenida Faria Lima, centro financeiro da capital paulista.

Esquema envolvia fundos, fintechs e redes de postos

Segundo as investigações, os recursos foram lavados por meio de 40 fundos de investimentos, fintechs, corretoras, usinas de álcool, distribuidoras e redes de postos de combustíveis — com ramificações em 300 endereços comerciais.

Entre os alvos principais está o BK Bank, fintech responsável por movimentar R$ 17,7 bilhões em transações suspeitas, das quais 80% teriam ligação direta com o PCC. A Receita Federal estima que o grupo tenha sonegado R$ 9 bilhões em impostos — R$ 1,4 bilhão em tributos federais e R$ 7,6 bilhões em estaduais.

Em nota, o BK Bank afirmou que foi surpreendido pela operação e que mantém “rigorosos padrões de compliance”. A fintech diz colaborar integralmente com as investigações.

Reag e Boxter sob suspeita

Outras empresas citadas são a Reag Investimentos, responsável pelo fundo Location, e a Rede Boxter de Combustíveis. O fundo Location tinha como único cotista Renato Steinle de Camargo, apontado como "testa de ferro" de empresários ligados ao PCC. Segundo a investigação, R$ 54 milhões foram depositados no fundo, parte oriunda de contas de Mohamad Hussein Mourad, um dos principais operadores do esquema.

Mourad também é proprietário da distribuidora de combustíveis Aster, principal cliente do BK Bank, com R$ 2,22 bilhões em movimentações. A Aster teve sua atuação suspensa pela ANP em 2024. Mourad seria ainda ligado à Copape, GT Formuladora e a terminais portuários como TLOG Terminais e Riolog Terminais, com operações em nome de laranjas.

Ramificações e tentativas de evasão

A Justiça paulista determinou a indisponibilidade de quatro usinas de álcool, cinco administradoras de fundos e cinco redes de postos. Os promotores também investigam duas instituições de pagamento, 17 distribuidoras, quatro transportadoras, dois terminais portuários, seis refinadoras e até uma rede de padarias.

A operação teria sofrido vazamento prévio, conforme apontou o MP-SP. Alguns alvos abandonaram suas residências antes da chegada dos policiais, mas locais estratégicos, como a sede do BK Bank, não foram comprometidos. Provas foram localizadas em um prédio na Rua Conselheiro Saraiva, zona norte de São Paulo.

Repercussão entre autoridades

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, defendeu a aprovação da PEC da Segurança, que visa facilitar a integração entre forças públicas no combate ao crime organizado. “O crime organizado não é mais local, é global”, afirmou.

Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elogiou o alcance da operação. “Ela conseguiu chegar na cobertura do sistema, no andar de cima”, declarou. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, informou que 700 policiais atuaram em São Paulo, cumprindo 156 mandados.

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