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VÍDEO: Médico diz que atirou em colegas por medo após briga em restaurante

Carlos Alberto Azevedo Filho é acusado de matar Luís Roberto Pellegrini Gomes e Vinícius dos Santos Oliveira após disputa por contratos médicos em Alphaville

21 janeiro 2026 - 11h45José Maria Tomazela
Médicos Vinícius dos Santos Oliveira (à esq), 35 anos e Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, foram mortos a tiros em Barueri (SP) por outro médico
Médicos Vinícius dos Santos Oliveira (à esq), 35 anos e Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, foram mortos a tiros em Barueri (SP) por outro médico - (Foto: Reprodução/Redes)

Uma briga por contratos na área médica terminou em duplo homicídio em um restaurante de Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo, na noite de sexta-feira (16). O médico Carlos Alberto Azevedo Filho, de 44 anos, é acusado de matar a tiros os também médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinícius dos Santos Oliveira, de 35.

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Preso em flagrante, Carlos Alberto disse à polícia que levou a arma em uma bolsa sem saber que encontraria as vítimas no local. Ele afirmou que só pegou a pistola depois da discussão porque achou que Luís Roberto estava acompanhado de seguranças e que se sentiu em risco. Após audiência de custódia, a prisão dele foi convertida em preventiva.

O caso é investigado pelo delegado Andreas Schiffman, que ouviu o médico na tarde de segunda-feira (20). Segundo o delegado, Carlos Alberto confirmou que o desentendimento tem origem em uma disputa por licitações e contratos de serviços médicos.

“O Carlos Alberto trabalhou na empresa de serviços médicos do Luís Roberto, até que decidiu abrir a própria empresa e eles passaram a ser concorrentes. Isso gerou uma rivalidade entre eles”, disse Schiffman ao Estadão.

No depoimento, Carlos Alberto contou que não sabia que os dois estavam no restaurante. Ele disse que viu Luís Roberto quando se levantou da mesa para ir ao banheiro e, por já conhecer o colega, decidiu cumprimentá-lo. Ainda de acordo com sua versão, Luís Roberto o teria interpelado, dizendo para ele parar de atrapalhar os negócios.

Em seguida, começou a discussão. Carlos Alberto admitiu que deu um tapa em Luís Roberto, o que teria provocado a reação de Vinícius, que acompanhava o cardiologista. Funcionários do restaurante intervieram e a briga foi interrompida.

O médico afirmou que, depois disso, voltou para a mesa. Guardas municipais foram chamados ao local após a informação de que havia alguém armado no restaurante. Eles revistaram Carlos Alberto, mas não encontraram a arma naquele momento.

Segundo o delegado, Carlos Alberto relatou que viu Luís Roberto saindo do restaurante acompanhado de duas pessoas e pensou que fossem seguranças. Ele disse que acreditou estar em perigo e então pegou a arma que estava em uma bolsa, do lado de fora, e fez os disparos.

A mulher que estava com o médico também foi ouvida. Com identidade preservada, ela afirmou que não viu a discussão entre os três porque permaneceu na mesa, sem visão da área onde aconteceu a briga.

Ela disse que, quando os guardas civis abordaram Carlos Alberto, pegou a própria bolsa e a dele para saírem do restaurante. Foi nesse momento, segundo o depoimento, que ele pegou a bolsa com a pistola e saiu atrás de Luís Roberto e Vinícius, instantes antes dos tiros.

De acordo com Andreas Schiffman, por enquanto as declarações dela estão coerentes com o que a polícia apurou. A investigação ainda aguarda imagens do interior do restaurante, já solicitadas à administração, e o depoimento de outras testemunhas para confirmar os relatos.

O delegado afirmou que, até agora, não há indícios de que o crime tenha sido premeditado. A linha de apuração é de que foi um encontro ocasional que acabou em desfecho trágico.

Luís Roberto, cardiologista que trabalhava em um hospital público de Barueri, foi atingido por oito tiros. Vinícius, que atuava em unidades de saúde de Cotia, levou dois disparos. Os dois chegaram a ser socorridos, mas morreram no pronto-socorro.

Carlos Alberto disse ter comprado a arma na condição de CAC (colecionador, atirador, caçador) e afirmou que o registro está regular, informação que ainda será conferida com documentos do Exército. A pistola foi apreendida e passa por perícia.

As cápsulas encontradas na cena, uma bolsa e R$ 16 mil que estavam com o médico também foram apreendidos.

A investigação aponta que o autor dos disparos já tinha sido preso em Aracaju (SE) por ameaça e racismo e estava em liberdade condicional.

Agora, Carlos Alberto Azevedo Filho deve responder por duplo homicídio doloso, com agravantes de motivo torpe e impossibilidade de defesa das vítimas.

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