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DESDOBRAMENTOS

Investigação em MS revela advogado ligado ao PCC e esquema de tráfico interestadual

Operação contra fraude em licitação levou Gaeco a descobrir atuação criminosa dentro e fora dos presídios

15 janeiro 2026 - 15h50Carlos Guilherme
Investigação do Gaeco revelou atuação de advogado ligado ao PCC em esquema de tráfico e comunicação ilegal.
Investigação do Gaeco revelou atuação de advogado ligado ao PCC em esquema de tráfico e comunicação ilegal. - (Foto: Arquivo)

Uma investigação que começou para apurar fraudes em licitações públicas em Mato Grosso do Sul acabou revelando um novo esquema criminoso ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante as apurações, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) identificou a atuação de um advogado que usava a profissão para servir à facção, facilitando comunicação entre presos e integrantes em liberdade, além de participar do tráfico de drogas. Ao todo, cinco pessoas foram denunciadas à Justiça.

Canal WhatsApp

A descoberta ocorreu durante a Operação Sommelier, deflagrada em junho de 2024 em Itaporã. Ao cumprir mandado de busca na casa do advogado investigado, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPMS) encontrou indícios de que ele fazia parte de uma estrutura criminosa muito maior, ligada diretamente ao PCC.

Segundo a denúncia, o advogado utilizava sua prerrogativa profissional para atuar como intermediário da facção, levando recados ilegais, conhecidos como “salves”, entre líderes presos e membros que estavam soltos. Esse tipo de atuação é conhecido no meio criminoso como “gravata”.

Investigação do Gaeco revelou atuação de advogado ligado ao PCC em esquema de tráfico e comunicação ilegal - (Foto: Arte A Crítica)

As investigações apontam que ele integrava o núcleo chamado “Sintonia dos Gravatas”, responsável por organizar a defesa jurídica de integrantes da facção e repassar ordens de chefes do PCC, inclusive de lideranças que cumprem pena em presídios de segurança máxima.

Mandados judiciais foram cumpridos em Campo Grande, Araraquara (SP) e Itajaí (SC) para reunir provas do esquema.

Além da atuação dentro do sistema prisional, o Gaeco identificou que o advogado também participava diretamente do tráfico de drogas. Ele seria responsável por transportar cocaína de Ponta Porã para outros estados, como Paraná e Minas Gerais, escondendo a droga em tanques de combustível e estepes de veículos.

Para dificultar o rastreamento, o investigado usava diversas contas de WhatsApp com nomes falsos, estratégia que ajudava a ocultar sua identidade e despistar as autoridades.

Prisão em flagrante e condenação - O advogado foi preso em flagrante em outubro de 2024, no interior de São Paulo, durante uma abordagem que encontrou 22 quilos de pasta-base de cocaína escondidos no tanque de combustível do veículo que ele dirigia.

Pelo crime, foi condenado pela Justiça paulista a 6 anos, 6 meses e 3 dias de prisão em regime fechado, além do pagamento de multa. Atualmente, ele cumpre pena em Araraquara (SP) e também tem prisão preventiva decretada na nova investigação conduzida em Mato Grosso do Sul.

A denúncia apresentada à 3ª Vara Criminal de Campo Grande também inclui uma mulher apontada como responsável pela parte financeira do esquema e pela venda de drogas. Ela está com prisão decretada, mas segue foragida.

Outros três integrantes do PCC também foram denunciados: um está preso no Complexo da Gameleira, em Campo Grande, e dois ainda não foram localizados.

O Ministério Público pede a condenação dos envolvidos pelos crimes de:

organização criminosa

tráfico de drogas com agravante interestadual

associação para o tráfico

lavagem de dinheiro

As investigações seguem em andamento.

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